Cinco estudantes da Escola Estadual de Tempo Integral Cívico-Militar Dom Bosco, de Alta Floresta, conquistaram o primeiro lugar na categoria Música do Prêmio MPT na Escola 2026, na etapa estadual, e representarão Mato Grosso na etapa nacional.
Acácio Manuel Brazoloto, Emilly de Oliveira da Silva, Jhone Henrique Brandão Ferreira, Julia Maciel Cesar e Thayna Gabrielly Silva Sartori são autores da composição Aprendiz Tem Direito, que aborda o combate ao trabalho infantil e a importância da garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Segundo a professora orientadora Patrícia dos Santos Lima, o processo começou com uma roda de conversa, na qual os estudantes compartilharam ideias e sugestões. A composição foi desenvolvida pelos próprios alunos e, após a composição, foram realizados ensaios para aperfeiçoar a interpretação, a pronúncia e o ritmo da apresentação.
“A construção da música foi um processo coletivo, que começou com uma roda de conversa para que os estudantes compartilhassem ideias e definissem o tema. Eles participaram de todas as etapas, desde a elaboração da letra e das rimas até a criação da melodia e a organização das estrofes”, afirmou a professora.
Ainda segundo ela, a conquista representa o reconhecimento do talento e da dedicação dos estudantes, além de demonstrar a importância de práticas pedagógicas que estimulam a autonomia e a participação ativa dos alunos. A experiência também permitiu que eles utilizassem a arte para transmitir uma mensagem de conscientização à sociedade.
“Participar do projeto permitiu que os estudantes fossem além dos conteúdos curriculares, conhecessem seus direitos e refletissem sobre o papel que podem desempenhar na sociedade. Essa conquista reconhece o talento, a dedicação e o protagonismo dos alunos, mostrando que, quando a escola oferece oportunidades e valoriza a participação, eles são capazes de produzir conhecimento e contribuir para a transformação social”, completou.
Os trabalhos que conquistaram o primeiro lugar em cada categoria na etapa estadual ou regional são inscritos na etapa nacional. Os vencedores serão divulgados no portal do Ministério Público do Trabalho (MPT), a data da premiação ainda não foi divulgada.
Além do resultado na categoria Música, estudantes da rede também conquistaram colocações nas categorias Conto e Desenho. Na categoria Conto, Ana Clara Martinho de Arruda, da Escola Estadual Cívico-Militar Rodolfo Augusto de Carvalho, em Cuiabá, ficou em terceiro lugar. Já em Desenho, Emanuelly Luiza Vaz, de Sinop, conquistou o segundo lugar, enquanto Giulia Ágata dos Santos Jost, de Alta Floresta, ficou em terceiro. Não houve estudantes da rede estadual premiados na categoria Poesia.
A conquista de Ana Clara também destaca o protagonismo dos estudantes na abordagem do tema. Apaixonada pela escrita, a aluna do 8º ano desenvolveu um conto sobre o trabalho infantil, com uma narrativa que chama a atenção para os impactos do trabalho precoce e a importância da permanência de crianças e adolescentes na escola.
A estudante conta que o incentivo da professora de Língua Portuguesa, Rosângela Cardoso, foi importante para a elaboração do trabalho. “Eu amo escrever contos e criar histórias. Minha professora sempre passa textos de diferentes gêneros para a gente produzir, isso me incentivou muito”, relata.
Para Ana Clara, a participação no concurso também foi uma oportunidade de mostrar seu trabalho e transmitir uma mensagem sobre o direito à educação. Ela acredita que permanecer na escola é fundamental para que crianças e adolescentes possam desenvolver suas capacidades e realizar seus sonhos.
De acordo com a secretária de Estado de Educação, Flávia Emanuelle Soares, o resultado demonstra a importância de aproximar os conteúdos trabalhados em sala de aula de temas que contribuem para a formação cidadã dos estudantes. Segundo ela, a iniciativa também evidencia o potencial da educação para estimular o pensamento crítico, a criatividade e o protagonismo juvenil.
“Quando os estudantes têm espaço para expressar suas ideias e refletir sobre questões importantes da sociedade, a aprendizagem ganha ainda mais significado. O trabalho desenvolvido nas escolas mostra como a educação pode contribuir para formar cidadãos conscientes de seus direitos e capazes de transformar a realidade em que vivem”, destaca a secretária.
O procurador do Trabalho André Canuto ressalta que o enfrentamento ao trabalho infantil exige o envolvimento de diferentes instituições e o fortalecimento de ações de conscientização desde a infância. Para ele, a escola tem papel fundamental na orientação de crianças e adolescentes sobre seus direitos.
“A conscientização é uma das principais ferramentas no combate ao trabalho infantil. Ao levar esse debate para dentro das escolas e incentivar os estudantes a refletirem sobre o tema por meio da arte e da literatura, conseguimos ampliar o alcance dessa mensagem e fortalecer a proteção dos direitos de crianças e adolescentes”, afirma o procurador.
A participação da rede estadual no Prêmio MPT na Escola 2026 é resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). A iniciativa mobilizou 260 unidades escolares vinculadas às 13 Diretorias Regionais e Metropolitana de Educação, alcançando aproximadamente 50 mil estudantes aptos a participar.
