Moradores, produtores rurais e lideranças políticas realizaram ontem quarta-feira (27), um manifesto com interdição parcial da rodovia MT-208, no trecho que liga o município de Carlinda a Novo Mundo, no Norte de Mato Grosso. O protesto ocorreu devido à paralisação das obras de implantação e pavimentação da via, situação que, segundo os manifestantes, vem causando transtornos diários para quem depende da estrada.
A mobilização ocorreu no trecho da obra de implantação e pavimentação da rodovia MT-208/419, entre o entroncamento da MT-419 e o entroncamento da MT-389 (A), no subtrecho entre a MT-419 e a balsa sobre o Rio São Manuel, na divisa entre Carlinda e Novo Mundo. A extensão prevista é de 28,87 quilômetros.

Durante o manifesto, moradores relataram problemas enfrentados tanto no período seco quanto durante o período chuvoso. Segundo os participantes, a poeira intensa afeta famílias que vivem às margens da rodovia e compromete a visibilidade dos motoristas. Já durante as chuvas, a estrada registra pontos de atoleiro e dificuldades no tráfego de veículos leves e pesados.
Um morador informou que a empresa Guizardi Junior Construtora e Incorporadora, vencedora da licitação inicial, teria iniciado os trabalhos, mas posteriormente interrompido a execução da obra. Segundo ele, a situação gerou insatisfação entre os moradores da região.
“A empresa ganhou a licitação, começou a fazer a obra e abandonou. Depois a Agrimat entrou, mas houve um processo para tirar a empresa e isso acabou paralisando tudo. Aqui virou um caos, com muita poeira e atoleiro”, afirmou.
O prefeito de Carlinda, Fernando de Oliveira Ribeiro, conhecido como Pastor Fernando, também comentou a situação e afirmou que o município não faz críticas ao Governo do Estado, mas demonstra preocupação com a paralisação das obras.
“Não temos aqui nenhuma reclamação quanto ao Governo do Estado. Pelo contrário, para o governador Mauro Mendes, para o vice-governador Otaviano Pivetta e toda a equipe, nós só temos elogios, porque eles trabalharam e estão trabalhando muito pelo Estado”, declarou.
Segundo o prefeito, a principal preocupação da população está relacionada à interrupção do contrato inicial e à suspensão da continuidade dos serviços após decisão judicial.
“A nossa grande preocupação é porque a licitação foi ganha por uma empresa e esta empresa não conseguiu dar conta dos trabalhos que precisava executar. Como ela não deu conta e paralisou as obras, o Governo do Estado acabou com aquele contrato e chamou outra empresa, a Agrimat Engenharia e Empreendimentos LTDA”, explicou.
Pastor Fernando destacou que a Agrimat já executou mais de 40 quilômetros de pavimentação do outro lado do Rio Teles Pires, em direção ao município de Novo Mundo, enquanto o trecho pertencente a Carlinda segue sem asfalto.
“Aqui nós não temos um palmo de pavimentação. São 28 quilômetros totalmente crus, com muitos problemas e prejuízos aos moradores”, afirmou.
O prefeito também relatou que a população atribui acidentes e problemas de saúde à situação da estrada. “Tivemos morte aqui há poucos dias por causa da poeira. Era para essa rodovia já estar pavimentada”, declarou.
De acordo com o gestor municipal, a paralisação ocorreu após a empresa Guizardi Junior Construtora e Incorporadora obter uma liminar judicial suspendendo o início das atividades da Agrimat no trecho.
“Houve um juiz que concedeu uma liminar e essa decisão suspendeu as atividades da Agrimat, que iria começar agora. Eles trabalharam um dia e no segundo já paralisou”, disse.
Ainda segundo o prefeito, existe preocupação com a perda do período seco, considerado ideal para execução da pavimentação.
“Estamos vendo que essa janela de tempo, que é o período seco e quando dá para trabalhar bem, vai ser desperdiçada. O que nós queremos é que essa liminar seja derrubada para que as obras possam continuar”, afirmou.
O gestor também destacou os impactos econômicos causados pela situação da rodovia, especialmente para o setor produtivo da região.
“Daqui a pouco o milho precisa ser escoado e a estrada continua cheia de buracos. Em alguns trechos, o trajeto entre uma ponte e o asfalto leva mais de uma hora. Isso prejudica produtores, moradores e toda a logística da região”, pontuou.
A pavimentação do trecho é considerada estratégica para a integração regional e para facilitar o transporte de moradores, estudantes, trabalhadores e produtores rurais entre Carlinda, Novo Mundo e demais municípios da região Norte de Mato Grosso.
Até o momento, não havia confirmação oficial sobre uma nova decisão judicial ou sobre um cronograma definitivo para retomada das obras.
