quarta-feira, 22 abril, 2026
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Envio de gado para fora de MT cai ao menor nível para março e reforça abate local

Mato Grosso registrou, em março de 2026, o menor volume de bovinos enviados para abate em outros estados para o período, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso. Ao todo, foram 2,54 mil cabeças destinadas a frigoríficos de fora, uma retração de 23,16% em relação a fevereiro e uma queda ainda mais expressiva de 44,05% na comparação com março do ano passado.

O recuo nos embarques interestaduais evidencia uma mudança no fluxo da cadeia pecuária estadual, com maior retenção dos animais para abate dentro do próprio estado. Entre os destinos que ainda receberam bovinos de Mato Grosso, Goiás concentrou 48,55% do total, seguido por São Paulo, com 46,27%, e Mato Grosso do Sul, com 5,18%.

A principal explicação para esse movimento está no encurtamento do chamado diferencial de base — a diferença de preços da arroba do boi gordo entre as praças. Em março, o deságio médio de Mato Grosso frente a São Paulo foi de 6,50%, patamar considerado mais estreito do que em períodos anteriores. Esse cenário reduz a atratividade econômica do envio de animais para outros estados, uma vez que os ganhos com a venda fora ficam mais limitados frente aos custos logísticos.

Na prática, com a diferença de preços menor, os pecuaristas encontram menos incentivo para negociar fora de Mato Grosso, direcionando a oferta para frigoríficos locais. O resultado é um fortalecimento da indústria frigorífica estadual, que passa a operar com maior disponibilidade de animais.

Os dados preliminares de abril reforçam essa tendência. Até a terceira semana do mês, a arroba do boi gordo foi negociada, em média, a R$ 350,21 em Mato Grosso, enquanto em São Paulo o valor chegou a R$ 368,74. O diferencial de base entre as duas praças ficou em -5,03% no período — uma aproximação de 1,47 ponto percentual em relação ao observado em março.

Para analistas do setor, o estreitamento desse diferencial é um fator determinante na reorganização dos fluxos comerciais da pecuária. Além de favorecer o abate interno, o movimento pode contribuir para maior estabilidade no mercado regional, reduzindo a dependência de praças externas e fortalecendo a cadeia produtiva dentro do estado.

O comportamento dos preços nas próximas semanas, especialmente diante das oscilações do mercado nacional e da demanda internacional por carne bovina, será decisivo para indicar se essa tendência de menor envio interestadual deve se consolidar ao longo de 2026.

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