quarta-feira, 22 abril, 2026
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Alta nos insumos pressiona custo do milho em MT e acende alerta para planejamento da safra 26/27

O custo de produção do milho em Mato Grosso voltou a subir e já preocupa produtores para o ciclo 2026/27. Levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso em parceria com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, por meio do projeto CPA-MT, aponta que o custeio da cultura, referente a março de 2026, foi estimado em R$ 3.686,80 por hectare — uma alta mensal de 3,38%.

De acordo com o estudo, o avanço nos custos foi puxado principalmente pelos fertilizantes e corretivos, além dos defensivos agrícolas. Os gastos com fertilizantes atingiram R$ 1.474,59 por hectare, com aumento de 5,67% no mês, enquanto os defensivos chegaram a R$ 895,70/ha, avanço de 3,12%. A pressão, segundo analistas, está diretamente relacionada às tensões geopolíticas globais, que têm restringido a oferta e elevado os preços dos insumos no mercado internacional.

Esse cenário impacta diretamente a relação de troca do produtor. Considerando o preço médio do milho projetado para a safra 26/27, em R$ 43,48 por saca, o agricultor mato-grossense precisa atualmente de 99,06 sacas por hectare para adquirir uma tonelada de ureia. No caso do MAP (fosfato monoamônico), são necessárias 125,37 sacas por hectare, enquanto para o cloreto de potássio (KCl) a exigência é de 81,85 sacas/ha.

Os números representam uma deterioração significativa frente ao mês anterior. As relações de troca registraram altas expressivas de 20,30% para a ureia, 13,55% para o MAP e 11,44% para o KCl, evidenciando o encarecimento dos insumos frente ao poder de compra do produtor.

Como reflexo direto desse ambiente adverso, o ritmo de negociações de insumos em Mato Grosso segue mais lento em comparação ao mesmo período do ano passado. Dados do levantamento indicam também que as importações de fertilizantes até março de 2026 ficaram abaixo do volume registrado em 2025, sinalizando cautela por parte dos produtores diante das incertezas de mercado.

Para especialistas do setor, o momento exige estratégia. A escalada dos custos reforça a necessidade de planejamento antecipado das compras, buscando melhores oportunidades de preço e reduzindo a exposição a oscilações bruscas. Sem isso, alertam, o risco de compressão das margens — e até de resultados negativos — aumenta de forma significativa na próxima safra.

Em um cenário global ainda instável, o produtor mato-grossense entra na nova temporada com o desafio de equilibrar custos elevados e preços ainda incertos, tendo na gestão eficiente o principal aliado para manter a rentabilidade no campo.

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