A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou forte preocupação com as medidas de salvaguarda anunciadas pela China em relação à carne bovina brasileira, especialmente por ocorrerem neste período do ano, quando o mercado já enfrenta oscilações e incertezas naturais do ciclo pecuário.
Em nota, a entidade alerta que decisões dessa natureza têm potencial de gerar impactos significativos em toda a cadeia produtiva. Segundo a Acrimat, grandes frigoríficos exportadores do Brasil já demonstraram apreensão quanto aos reflexos dessas medidas, que podem resultar em efeitos diretos sobre o preço pago ao produtor rural.
A associação ressalta que, historicamente, qualquer incidente de ordem sanitária ou econômica acaba recaindo sobre o pecuarista, que é o elo mais vulnerável da cadeia. “É o produtor quem paga a conta no final”, destaca a entidade, ao lembrar que situações semelhantes já provocaram quedas abruptas no valor da arroba, como ocorreu recentemente com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, quando a dependência de um único importador levou à desvalorização do mercado interno.
Para a Acrimat, os grandes exportadores possuem capacidade de redirecionar volumes excedentes para outros mercados, diluindo eventuais impactos, sem necessidade de repassar prejuízos ao produtor por meio de práticas especulativas. A entidade defende que esse excedente não seja utilizado como ferramenta para pressionar ainda mais os preços pagos ao pecuarista.
A associação afirma confiar no bom senso dos agentes envolvidos e reforça que o produtor brasileiro precisa ser valorizado e respeitado, especialmente em um momento de virada de ciclo e de grande incerteza no cenário econômico internacional. Por fim, a Acrimat cobra uma atuação mais firme do governo federal, para que haja proteção e defesa de quem produz, e não apenas dos interesses ligados à exportação.
