O ex-deputado federal Nilson Leitão, candidato à Câmara Federal, subiu o tom contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal em declaração sobre as denúncias que envolvem ministros do STF e o banqueiro preso Daniel Vorcaro. Para ele, o Parlamento assiste, há dois anos, à deterioração do tema sem apresentar nenhuma ação concreta. A crítica veio acompanhada de duas propostas objetivas.
Na avaliação de Leitão, a primeira medida necessária é mudar a regra do STF. Ele revelou que discutiu com a senadora Tereza Cristina um projeto de lei para exigir que ministros do Supremo iniciem a carreira na corte aos 60 anos de idade. A ideia é que a vida pregressa do candidato já seja de conhecimento público antes de assumir o cargo.
A segunda frente é a penalidade. Para Leitão, juiz que erra não pode ter conveniência da lei. Ele defende a suspensão imediata da função, com o direito à defesa preservado, mas longe do cargo. O ex-deputado classificou como absurdo um ministro seguir no exercício da função depois de uma denúncia dessa natureza. Na visão dele, o ministro deveria ter sido retirado do gabinete no mesmo dia da denúncia para responder ao processo.
“Nenhuma autoridade pode ficar sob a dúvida da justiça ou da sociedade com tantas provas aparecendo todo dia, com tantas dúvidas na cabeça da sociedade. Precisamos resgatar a moral, a ética, o civismo e o amor ao nosso país”, defendeu.
Sobre a escalada da crise nas últimas semanas, que levou ao plenário a discussão sobre a investigação de ministros, Nilson Leitão disse que o STF mais uma vez perdeu a oportunidade de mostrar a sua lisura e a sua honestidade.
“Pedir vistas num momento desse, adiar um julgamento desse num período a poucos dias das eleições pode não influenciar na urna porque essa não é uma questão de direita ou esquerda. É uma questão ética, uma questão moral”, disse ele.
Em sua avaliação, o julgamento sequer seria necessário se os ministros tomassem a iniciativa de se afastar dos seus cargos para serem julgados de forma transparente, idônea e imparcial.
