Uma empresa de suplementos criada por um ex-vereador e atleta de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, tornou-se alvo de denúncias publicadas na internet envolvendo o modelo de investimentos oferecido pela plataforma. Reclamações de pessoas de diferentes estados relatam dificuldades para sacar valores aplicados e apontam problemas no acesso às contas.
As denúncias também questionam a forma de funcionamento da empresa, que se apresenta como uma loja online de suplementos e produtos voltados à performance e aos treinos. Segundo as informações divulgadas pela própria plataforma, o modelo inclui um programa de fidelidade, sistema de indicação de novos participantes e planos de investimento com promessa de retorno financeiro.
No Reclame Aqui, uma investidora do Rio Grande do Sul afirmou ter R$ 1 mil aplicados e relatou ter sido impedida de acessar a plataforma. “Me baniram do app de investimento, sem mais nem menos, estava com Mil reais investidos na plataforma de vcs. Peço que me retornem”, escreveu.
Outra reclamação, registrada por uma pessoa de Salvador (BA) em nome do filho, relata situação semelhante. Segundo o relato, foi realizado um PIX para a plataforma após a promessa de rendimento, mas o saldo teria ficado indisponível para saque.
“Quando solicitei o reembolso e saque do valor, baniram minha conta e pararam de responder”, afirmou o reclamante. Ele disse ainda ter apresentado uma contestação ao banco e possuir comprovantes do PIX e imagens da conta que teria sido bloqueada.
Promessa de retorno em 30 dias
Entre os pontos questionados está a divulgação de planos que, segundo o material apresentado pela empresa, permitem investimentos de R$ 10 a R$ 1 mil, com promessa de retorno após 30 dias.
Em uma das divulgações atribuídas ao empresário, é apresentado o exemplo de um investimento de R$ 10 que, após 30 dias, resultaria em um recebimento de R$ 20.
A publicidade utiliza ainda expressões como “faça seu dinheiro trabalhar por você” para apresentar a modalidade aos interessados.
O material também mostra um sistema de indicação. Conforme a divulgação, o participante pode avançar por diferentes níveis à medida que realiza indicações, com a promessa de aumento dos ganhos.
A estrutura apresentada é dividida do 8º ao 1º nível e utiliza a expressão “indique e aumente seus ganhos”.

Jornalista questiona modelo apresentado pela empresa
O jornalista e radialista Wesley Texeira, que também produz conteúdo sobre investigações digitais, publicou um vídeo analisando informações relacionadas ao empreendimento.
Na gravação, ele questiona se o modelo apresentado seria uma estratégia de marketing multinível, uma empresa convencional ou uma estrutura de captação de investimentos que poderia apresentar características de uma pirâmide financeira.
Ao analisar a oferta de produtos, Texeira utiliza como exemplo uma creatina apresentada nos materiais de divulgação.
“Sempre que as pirâmides têm um produto de fachada, eu compro para depois fazer um vídeo. Só que eu simplesmente não achei produtos deles para comprar. Sabe por quê? Porque eles não têm o produto para vender. Só tem para trocar por pontos”, afirmou.
Segundo a análise apresentada pelo jornalista, a quantidade de pontos necessária para obter a creatina estaria relacionada ao valor investido na plataforma.
“Sabe como você consegue esses pontos? Investindo na empresa. Então, para eu conseguir uma creatina, eu precisaria de 24.130 pontos. É referente ao investimento de R$ 2 mil na empresa”, disse.
Texeira também questionou a diferença entre a apresentação comercial de uma loja de suplementos e a existência de planos com promessa de retorno financeiro.
“Se não é uma empresa de investimentos, por que o dono está mandando você investir 10 para ele te pagar um retorno de 20 reais depois?”, questionou.
Empresário afirma que contas foram bloqueadas
Em um vídeo encaminhado à redação do Notícia Exata por pessoas que denunciam o caso, o proprietário da empresa afirma que as contas utilizadas pelo empreendimento foram bloqueadas e atribui a situação a uma medida do governo federal relacionada às chamadas bets.
“Estou passando aqui para dar um comunicado muito sério. Nossa empresa sempre trabalhou com a verdade e a transparência. Hoje pela manhã, acordamos com uma novidade muito ruim”, declarou.
Segundo o empresário, o bloqueio estaria relacionado a políticas do governo e a um decreto envolvendo empresas de apostas. Ele afirmou que a situação não teria relação com o projeto desenvolvido pela empresa.
“Por causa dessas políticas, dessa eleição, esse decreto que o nosso presidente Inácio Lula da Silva fez, das bets, que não tem nada a ver com o nosso projeto, as nossas contas nesse momento estão bloqueadas”, disse.
Ainda no vídeo, o empresário afirmou que o departamento jurídico estaria trabalhando para tentar liberar as contas e demonstrou expectativa de que os pagamentos fossem normalizados.
“Já estamos trabalhando, o nosso jurídico está trabalhando pesado para liberar. Peço que vocês tenham um pouco de colaboração e compreendam que acredito que até meio-dia, duas horas da tarde, já teremos liberado os pagamentos”, afirmou.
Ele também declarou acreditar na continuidade do empreendimento.
“Eu acredito no potencial, eu acredito no que a gente construiu e eu tenho certeza que essa ação do governo federal não tem nada a ver com a nossa empresa. Mas estamos pagando o preço”, completou.
Nossa reportagem tentou contato com o empresário, mas os números disponibilizados não estavam ativos, com isso, o espaço está aberto para qualquer posicionamento.
