Durante a operação “Rastro de Érebo”, realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso no último dia 20, nove balsas utilizadas na extração ilegal de minério foram destruídas em Peixoto de Azevedo. A ação, que cumpria mandados judiciais, teve como objetivo combater atividades de garimpo em áreas de preservação permanente nos rios Peixoto e Peixotinho. De acordo com as investigações, as embarcações operavam sem licenças ambientais, contribuindo para erosão, acúmulo de sedimentos e alteração no curso natural das águas.
A destruição dos equipamentos, no entanto, gerou questionamentos sobre o impacto ambiental do método empregado. As explosões teriam provocado contaminação da água e do solo com resíduos de óleo e metal, o que motivou pedidos de esclarecimentos sobre o procedimento adotado pelos agentes da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
Um dia após a operação, o governador Mauro Mendes se reuniu com extrativistas da região e afirmou ter determinado uma investigação interna. O chefe do Executivo estadual reforçou que o combate à mineração ilegal deve ser firme, mas sem o uso de “brutalidade” ou “destruição injustificada”.
A operação reacendeu o debate sobre os critérios de fiscalização ambiental. O Requerimento nº 675/2025, encaminhado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e à Dema, solicita informações detalhadas sobre a ação, incluindo a lista de materiais destruídos, as localizações exatas, os proprietários das balsas e os documentos que autorizaram a queima.
A iniciativa do pedido de informações partiu do deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos), que classificou a forma de execução da operação como inadequada. Ele afirmou que a apreensão dos equipamentos poderia ter ocorrido sem destruição e que a queima das balsas resultou em novos danos ambientais.
“Você pode inutilizar um motor para que ele não seja instrumento do crime ambiental. Agora, colocaram explosivo na beira do rio. Imaginem o impacto ambiental. Ali, estão fazendo a bel-prazer”, concluiu o parlamentar.
