O segundo trimestre de 2026 consolidou uma mudança importante na dinâmica do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Mesmo com redução de 22% no volume nacional de fretes em relação ao mesmo período do ano anterior, o preço médio do transporte avançou 20%, atingindo um novo recorde e evidenciando que a disponibilidade de caminhões e motoristas passou a exercer maior influência sobre a formação das tarifas do que o próprio preço do diesel.
Os dados são da nova edição trimestral do Frete Insights, relatório da Frete.com que acompanha a evolução do mercado spot de transporte rodoviário de cargas no país. No período, o Índice Frete.com de Preços (IFP) avançou 5,3% em relação ao primeiro trimestre de 2026 e encerrou junho com nova alta mensal de 3,3%, reforçando a tendência de valorização observada ao longo dos últimos trimestres.
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Escassez de frota supera o diesel na formação das tarifas
Um dos principais achados do levantamento é a mudança na dinâmica de formação dos preços. Enquanto o diesel acumulou alta de 14% na comparação anual, o preço médio do frete avançou 21%, indicando que o combustível deixou de ser o principal fator de pressão sobre as tarifas.
Segundo o estudo, o desequilíbrio entre oferta e demanda de caminhões, especialmente nos corredores de escoamento do agronegócio, passou a exercer papel determinante na formação dos preços, sustentando a valorização do frete mesmo em um cenário de menor movimentação de cargas.
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Sudeste amplia participação e concentra os principais fluxos logísticos
Embora todas as regiões tenham registrado retração no volume de fretes durante o segundo trimestre, o Sudeste ampliou sua participação no mercado nacional, passando de 39% para 43% do volume movimentado. Sul e Norte apresentaram as maiores quedas no período, ambas de 34%.
A concentração também se refletiu na análise por estados. São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso responderam por 52% de todo o volume de fretes registrado pela plataforma, reforçando a importância dos corredores que ligam o parque industrial do Sudeste às regiões produtoras do Centro-Oeste.
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Agronegócio mantém liderança e concentra as maiores altas de preço
O agronegócio permaneceu como principal segmento do transporte rodoviário brasileiro, respondendo por 42,9% do volume total de fretes registrados no trimestre. Apesar da retração observada no período, o setor continuou concentrando os principais corredores de escoamento da produção nacional.
Essa pressão se refletiu nas tarifas. As maiores valorizações ocorreram nas rotas ligadas ao agronegócio, com destaque para Nova Mutum (MT) – Imbituba (SC) (+72,3%), Barro Alto (GO) – Laranjeiras (SE) (+49,2%) e Campo Verde (MT) – Paranaguá (PR) (+48,6%) na comparação com o segundo trimestre de 2025.
Corredores logísticos revelam onde a pressão sobre a frota é mais intensa
O Frete Insights também mapeou os principais gargalos logísticos do país. O corredor Coromandel (MG) – Santos (SP) apresentou o maior desequilíbrio entre oferta e demanda, com 6,96 cargas disponíveis para cada caminhão, seguido por Porto dos Gaúchos (MT) – Rondonópolis (MT) (5,11) e Luz (MG) – Santos (SP) (4,56).
A análise mostra que os maiores gargalos permanecem concentrados nas rotas de escoamento da produção agropecuária em direção aos principais portos brasileiros. Em contrapartida, alguns corredores com destino aos portos da Região Sul já apresentam maior disponibilidade de caminhões do que de cargas, indicando menor pressão sobre as tarifas nessas operações.
Além da análise por corredor, o levantamento mostra que Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram o indicador de carga por caminhão, refletindo a maior pressão sobre a capacidade de transporte nesses estados.
