As recentes tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz já começam a refletir diretamente no campo brasileiro. Em Mato Grosso, principal produtor de soja do país, relatório divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA-MT) aponta forte elevação nos custos de produção para a safra 2026/27, impulsionada principalmente pela alta nos preços dos insumos.
De acordo com o levantamento, o custeio da oleaginosa foi estimado em R$ 4.435,40 por hectare, um avanço mensal de 6,98%. O aumento está diretamente ligado à escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, consequência das incertezas na principal rota de escoamento da commodity energética no mundo.
O impacto mais imediato foi sentido no diesel. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam que o combustível em Mato Grosso saltou de R$ 6,35 por litro em fevereiro de 2026 para R$ 7,21 por litro em março, uma alta de R$ 0,86 por litro. O encarecimento eleva significativamente os gastos com operações mecanizadas, fundamentais no sistema produtivo da soja.
Além do combustível, o conflito também atingiu o mercado internacional de fertilizantes. Produtos nitrogenados e fosfatados registraram aumento relevante, pressionando ainda mais o orçamento do produtor. Segundo o IMEA, os gastos com fertilizantes — que representam 46,71% do custeio total — subiram 10,77% no comparativo mensal, atingindo R$ 2.071,87 por hectare. O valor é o segundo maior já registrado para o período em toda a série histórica do instituto.
A combinação desses fatores acende um sinal de alerta no setor. Com os custos em alta e a receita ainda sujeita à volatilidade do mercado internacional, a relação de troca — indicador que mede o poder de compra do produtor — segue pressionada, reduzindo a margem operacional.
Na prática, o cenário exige maior cautela e planejamento por parte dos sojicultores mato-grossenses. Especialistas apontam que decisões estratégicas, como a antecipação na compra de insumos e o uso mais eficiente de tecnologias no campo, podem ser determinantes para mitigar os impactos desse novo ciclo de custos elevados.
Enquanto isso, o desenrolar das tensões no Oriente Médio continuará no radar do agronegócio. Em um mercado cada vez mais globalizado, eventos a milhares de quilômetros de distância seguem ditando o ritmo — e o custo — da produção agrícola no Brasil.


