A nova estimativa para a safra 2025/26 reforça o protagonismo do Brasil no mercado global de soja, mas também evidencia desafios para os produtores, especialmente em Mato Grosso. É o que aponta o mais recente relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento.
De acordo com a Conab, a oferta total de soja no país deve atingir 189,63 milhões de toneladas, crescimento de 5,54% em relação à safra anterior. O avanço é impulsionado pela expectativa de uma produção recorde de 179,15 milhões de toneladas, resultado do bom desempenho nas principais regiões produtoras, com destaque para Mato Grosso, maior polo agrícola do país.
Apesar do cenário positivo no campo, o processamento interno da oleaginosa apresentou leve retração. O esmagamento de soja foi revisado para 60,52 milhões de toneladas, queda de 0,34 milhão de toneladas. Segundo o relatório, o recuo está diretamente ligado ao adiamento da elevação da mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 16%, medida que impacta a demanda por óleo de soja no mercado doméstico.
Por outro lado, o setor externo segue como principal motor da cadeia produtiva. As exportações brasileiras foram revisadas para cima e agora estão estimadas em 115,40 milhões de toneladas, alta de 1,01 milhão de toneladas. A Conab projeta que os embarques devem ganhar força nos próximos meses, embora ressalte que o ritmo efetivo dependerá das condições do mercado internacional, ainda marcado por incertezas.
O aumento da oferta e o avanço das exportações também refletem na recomposição dos estoques finais, projetados em 9,96 milhões de toneladas — crescimento de 4,43% em relação ao relatório anterior, divulgado em março.
No mercado mato-grossense, no entanto, o produtor já sente os efeitos de um cenário mais pressionado. O preço da soja apresentou queda semanal de 1,50%, fechando na média de R$ 101,70 por saca. A desvalorização ocorre em meio à combinação de fatores externos e cambiais.
Em contrapartida, o farelo de soja segue valorizado. Impulsionado pela forte demanda internacional, especialmente para ração animal, o subproduto registrou alta de 2,16% no comparativo semanal em Mato Grosso.
Outro fator relevante destacado pelo IMEA é o comportamento do câmbio. Mesmo com a queda nas cotações da soja, o recuo do dólar contribuiu para ampliar o diferencial de base entre Mato Grosso e a bolsa de Chicago (CME) em 5,81% na semana, o que influencia diretamente a competitividade e a formação de preços no estado.
O relatório reforça que, embora o cenário global aponte para uma safra robusta e exportações aquecidas, a volatilidade cambial e as decisões de política energética seguem como variáveis-chave para o desempenho do setor nos próximos meses.


