Certificado pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) como livre de febre aftosa há 25 anos com vacinação, Mato Grosso ampliou sua presença no mercado internacional de carne bovina e se consolidou como o maior produtor da proteína no Brasil. Na comparação entre 2001 e os primeiros nove meses de 2026, o volume da proteína bovina exportada pelo estado cresceu 2.242%, passando de 24,1 mil toneladas para 566,5 mil toneladas.
Doença que provoca perda de peso, dificuldade de locomoção e até morte de bezerros, a febre aftosa foi, durante muito tempo, um problema para a pecuária de Mato Grosso. A certificação de área livre da doença, ainda que com vacinação, permitiu que o estado ampliasse o rebanho e, consequentemente, as exportações para países que exigem garantias rigorosas sobre a saúde dos animais, além de melhorar as condições para acessar mercados que remuneram melhor determinados cortes bovinos.
O cenário na década de 2000 era diferente do atual. A pecuária tinha uma estrutura predominantemente extensiva, baseada na criação de animais em grandes áreas de pastagem, com menor utilização de tecnologias para aumentar a produtividade.
Em 2001, a carne bovina exportada por Mato Grosso movimentou uma receita de US$ 47,5 milhões. Na época o estado comercializava a proteína para 29 países, tendo o Egito como o principal comprador, responsável pela aquisição de 40,7% do total, com 9,7 mil toneladas.
Além da manutenção da condição sanitária, a pecuária mato-grossense avançou com investimentos em tecnologia, melhoramento genético, recuperação de pastagens, suplementação alimentar e sistemas de produção mais intensivos. Essas mudanças permitiram aumentar a produtividade por hectare e melhorar a qualidade dos animais destinados ao abate.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Oliveira, a evolução do setor reflete os investimentos realizados pelos produtores ao longo das últimas décadas. “A pecuária de Mato Grosso passou por uma transformação nesses 25 anos. O produtor investiu em genética, tecnologia e manejo e conseguiu aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, o trabalho de controle sanitário foi fundamental para garantir a segurança da produção e permitir que o estado conquistasse espaço no mercado internacional”.
E 25 anos depois da certificação histórica, os números mostram a dimensão desse crescimento. Apenas entre janeiro e setembro de 2026, Mato Grosso exportou 566,5 mil toneladas de carne bovina para mais de 90 países, movimentando US$ 3,4 bilhões.
A China, que em 2001 não comprava a carne mato-grossenses, tornou-se o principal destino da proteína. Nos primeiros nove meses de 2026, o país asiático adquiriu 252,3 mil toneladas, o equivalente a 44,5% do volume exportado pelo estado.
