O avanço da semeadura da soja em Mato Grosso, já na casa dos 90%, pode favorecer o calendário do milho na safra 2026/27. É o que aponta as novas projeções do Instituto Mato-grossensse de Economia Agropecuária (Imea), que destaca que devido à perspectiva de conclusão do plantio da oleaginosa dentro do período planejado neste mês de novembro, os produtores ganham melhores condições para semear o milho na janela considerada ideal no ano que vem.
De acordo com o instituto, para a próxima temporada a área do cultivo de milho está estimada em 7,48 milhões, um crescimento de 0,59% em relação à safra 25/26. A projeção foi mantida no relatório de Oferta e Demanda de novembro de 2026 e considera a perspectiva de expansão da demanda doméstica pelo cereal.
Segundo Gabriel Souza, da equipe de milho do Imea, o ritmo de implantação da soja é um dos fatores que podem contribuir para o planejamento da segunda safra. A antecipação da semeadura da oleaginosa amplia as possibilidades de realização do plantio do milho dentro do calendário recomendado, embora o desempenho da cultura dependa das condições climáticas ao longo de seu ciclo.
As previsões do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe) indicam possibilidade de chuvas favoráveis à manutenção da umidade do solo entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, período importante para o plantio do milho e o desenvolvimento inicial das lavouras em Mato Grosso.
Por outro lado, o excesso de precipitações pode provocar interrupções nas operações de campo e atrasar o calendário agrícola. Nos meses seguintes, uma eventual redução ou má distribuição das chuvas também representa risco, especialmente durante as fases de florescimento e enchimento de grãos, quando a disponibilidade hídrica é determinante para a produtividade.
“Embora o avanço da semeadura da soja favoreça a implantação do milho dentro da janela ideal, ainda é necessário acompanhar o comportamento das chuvas e a disponibilidade hídrica ao longo do ciclo, principalmente diante das possíveis influências do El Niño”, destaca Gabriel Souza.
