Diante do colapso da saúde pela falta de capacidade de atendimento a todos os pacientes com covid-19, a medida de fechamento de estabelecimentos comerciais volta a ser discutida com mais empenho. O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, informou em transmissão na manhã desta terça-feira (9) que notas de orientações serão passadas pelo governo estadual, no entanto, a decisão pelo fechamento fica cargo de casa gestor.
Nas últimas semanas, algumas cidades implementaram barreira sanitária e toque de recolher noturno, como forma de controlar o fluxo de pessoas nas ruas. O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), admite lockdown em Cuiabá, mas a medida ainda está sendo estudada.
A assessoria de imprensa do município informa que o gestor está reunido com o Comitê de Enfrentamento a Covid e as novas ações serão anunciadas nesta quarta-feira (10). A morte de 13 pessoas no fim de semana é fator que pesa na decisão de fechamento, no entanto é possível que as medidas atinjam os bairros de formas diferentes.
Questionado sobre o fechamento e o estudo feito pelo prefeito para combater a pandemia na capital, que tem o maior número de contaminados e de mortes no estado todo, o secretário afirma que cabe a cada gestor a decisão de acordo com o cenário da cidade que gere. Em específico de Cuiabá, Figueiredo criticou o período de fechamento e abertura das atividades econômicas.
“No momento em que tínhamos um caso, fecha tudo. Agora em que o número de casos explode abre tudo. Qual é a lógica? Se terá que determinar o lockdown ou não é uma decisão dele. Cada um com seu ofício. Além dele pensar em fazer isso, tem que pensar o mais rápido possível, não dá para ter nem mais um minuto de atraso, e liberar leitos de UTI no município. O São Benedito deveria ter 30 leitos para atender paciente covid e não tem ninguém internado lá. Têm pacientes precisando de UTI. É preciso tomar as decisões mais simples primeiro e depois as mais complexas”, ressalta.
O secretário destacou que o calapso da saúde já chegou ao estado e já existe dificuldade em encontrar leitos de UTI para pacientes da covid. Muito do que ocorre é por conta da falta de resultados dos exames. Doentes encaminhados para os hospitais de referência já deveriam chegar com o diagnostico covid, mas isso não ocorre. Os pacientes chegam em estado grave, mas ainda com suspeita da doença e ocupam uma vaga destinada à covid.
“Muito provavelmente o Estado irá ditar uma nova orientação aos municípios , mas quem decide o que é melhor para o municípios é o prefeito”, afirma.
O secretário afirmou que ainda nesta terça-feira 70% dos leitos de UTI disponíveis no estado, públicos e particulares, devem ser ocupados. “Mesmo diante dos números, há festa para todo lado”, alerta.
Mesmo com número gritantes, o secretário pontua que o volume deve ser 10 vezes maior. Isso ocorre porque muitas pessoas contaminadas não desenvolvem sintomas, não procuram atendimento médico e não entram nas estatísticas.


