O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) participou da Reunião Ampliada do Comitê de Monitoramento da Estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI), promovida pelo Instituto PCI, para apresentar os avanços alcançados ao longo dos dez anos da iniciativa e discutir os desafios para o cumprimento das metas estabelecidas até 2030. O encontro reuniu representantes do poder público, setor produtivo e organizações da sociedade civil com o objetivo de avaliar os resultados da estratégia voltada ao desenvolvimento sustentável de Mato Grosso.
Criada por meio de uma articulação entre o Governo de Mato Grosso, iniciativa privada, produtores rurais e entidades da sociedade civil, a Estratégia PCI busca conciliar crescimento econômico, conservação ambiental e inclusão social. O programa está estruturado em três pilares — Produzir, Conservar e Incluir — e estabelece metas de longo prazo para fortalecer a produção sustentável no estado.
Um dos indicadores apresentados durante a reunião foi o avanço do manejo florestal sustentável em Mato Grosso. Atualmente, o estado contabiliza 5 milhões de hectares sob manejo florestal sustentável, volume que representa cerca de 83% da meta de 6 milhões de hectares prevista para 2030.
Diante desse cenário de expansão, o Cipem destacou que o crescimento do setor deve ser acompanhado por medidas que garantam maior eficiência operacional e segurança jurídica às empresas que atuam dentro da legislação ambiental.
Entre as principais demandas apresentadas pela entidade está o aprimoramento da integração entre os sistemas de gestão florestal utilizados pelos órgãos públicos, medida considerada estratégica para reduzir entraves administrativos e tornar mais ágeis os processos relacionados ao manejo sustentável.
Durante o encontro, também foram apresentados dados econômicos do segmento florestal. Em 2025, o setor movimentou R$ 3,17 bilhões em Mato Grosso, dos quais R$ 877,3 milhões, o equivalente a 27%, corresponderam às negociações realizadas no mercado estadual.
Além da modernização dos sistemas, o Cipem reforçou outras pautas consideradas prioritárias para o fortalecimento da cadeia produtiva, como a ampliação das linhas de crédito compatíveis com o ciclo de produção do manejo florestal, investimentos para melhorar a competitividade logística e ações voltadas à valorização da madeira de origem legal.
Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar a formação de mão de obra especializada para atender todas as etapas da atividade florestal, desde o inventário das áreas até as operações realizadas em campo.
Segundo o diretor do Cipem, Claudinei Freitas, os resultados obtidos até o momento demonstram avanços importantes, mas ainda existem desafios para consolidar o manejo florestal sustentável como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
“Os avanços já alcançados mostram que Mato Grosso está no caminho certo, mas ainda existem desafios que precisam ser superados. Mais do que cumprir uma meta, queremos que o manejo florestal sustentável seja reconhecido pelo seu papel na conservação ambiental e no desenvolvimento econômico do estado. Para isso, é fundamental unir forças na construção de soluções conjuntas que fortaleçam o setor”, afirmou.
A reunião ampliada contou com representantes de diferentes instituições ligadas ao desenvolvimento sustentável e à gestão ambiental, entre elas a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) e Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf).
As discussões devem subsidiar as próximas ações da Estratégia PCI, que segue acompanhando indicadores e promovendo o diálogo entre governo, setor produtivo e entidades parceiras para o cumprimento das metas estabelecidas até 2030.
