Professores, pequenos agricultores, comerciantes, pesquisadores, vereadores, advogados e outros representantes da sociedade organizada em Alta Floresta amanheceram a segunda-feira manifestando na Rodovia MT-208, a 13 quilômetros do núcleo urbano de Alta Floresta, sentido Carlinda.
O movimento foi devido o flagrante no final de semana de máquinas trabalhando no local, dando início à obra de implantação de uma praça de pedágio.
O empreendimento é da concessionária Via brasil, detentora da concessão do trecho da rodovia pelos próximos 30 anos. Mas conforme os manifestantes, uma Audiência Pública realizada antes do estado passar oficialmente a concessão para a empresa, o assunto foi amplamente debatido e na ocasião ficou acertado que a praça de pedágio mudaria de local ou passaria a ser feita a 23 quilômetros da entrada de Alta Floresta. “Fomos simplesmente sacaneados. Foi isso que aconteceu”, resumiu de forma áspera Paulo Moreira, representante do Conselho do Desenvolvimento da Amazônia, Codam.
Darlene Delarinci, diretora da escola Mundo Novo disse que é uma preocupação grande para a Escola que fica no Setor Terceira Leste, atendendo cerca de 200 estudantes. “Grande parte dos professores sai da cidade para lecionar lá e com esse pedágio soma quanto terão que gastar todos os dias”, disse a gestora que ficou revoltada no final de semana ao ver maquinários trabalhando. “Falaram que iam fazer o pedágio em outro lugar e fomos surpreendidos aqui. Mas viemos debaixo de chuva e fizemos com que as máquinas parassem e agora vamos continuar nosso movimento, pois não podemos ser penalizados assim”, disse a professora.
Alisson Oliveira, que trabalha com venda de hortaliças, até se emociona ao falar da possibilidade da praça de pedágio ser implantada a menos de 15 quilômetros de Alta Floresta, atingindo diretamente produtores dos setores Mundo Novo, Terra Santa, Ramal do Mogno, entre outros. “A gente já não ganha muito. Saímos de casa cedo para entregar a verdura e legumes fresquinhos, mas assim, tendo que pagar agora para ir e voltar com certeza o prejuízo é muito grande.
Cida Sicuto, vereadora de Alta Floresta estava no local ao lado de outros edis como Elisa Gomes, Dida Pires, Mequiel Zacarias, Macos Menim e Mendonça, além de assessor jurídico da Casa de Leis. Para eles, o início da obra em local que já tinha sido acertada a mudança, é sinal de enganação aos produtores e população de Alta Floresta.
Os manifestantes dizem que a praça sendo implantada ali se tornará praticamente uma divisão entre os municípios de Alta Floresta e Carlinda, uma vez que moradores de Alta Floresta, mas tendo que pagar pedágio duas vezes para simples compras ou outras atividades, já terão maior dificuldade.
Os manifestantes na Rodovia MT-208 aguardavam na manhã de segunda uma reunião no local com o engenheiro da obra. Mas o representante da Via Brasil não compareceu naquele momento.
Contudo, todos que estavam no local seguiram em comboio à prefeitura e depois ao Ministério Público onde ficou pré-agendada uma reunião após dia 20 de novembro, mas ainda este mês, reunindo prefeitura, estado, produtores e empresa Via Brasil, para rediscutir o assunto, buscando uma decisão final. Antes disso no entanto, a obra deve ficar embargada.


