Enquanto muitos moradores ainda aguardam soluções para problemas básicos do dia a dia, a Câmara Municipal de Alta Floresta decidiu dar um passo ousado na criação de conteúdo para enaltecer as ações da casa de leis. O Legislativo homologou a Dispensa Eletrônica nº 011/2025, que prevê gastos de quase R$ 35 mil para a aquisição de equipamentos destinados à produção de um podcast institucional do Departamento de Imprensa da Casa.
A iniciativa foi oficialmente adjudicada e homologada pelo presidente da Câmara, com base na Lei nº 14.133/2021. O objetivo, segundo o documento, é o “registro de preço para futura e eventual aquisição de equipamentos”.
Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 35.330,65, quantia suficiente para montar um estúdio respeitável — ou, quem sabe, vários episódios bem editados explicando por que esse investimento era realmente indispensável.
Resta saber se o novo podcast será utilizado para ampliar a transparência e aproximar o cidadão das decisões da Câmara ou se será apenas mais uma vitrine institucional bem equipada, porém pouco sintonizada com as prioridades da população.
A iniciativa levanta questionamentos e, inevitavelmente, comparações. Em tempos de redes sociais, vídeos curtos e transmissões ao vivo gratuitas, a aposta em um estúdio de podcast financiado com recursos públicos soa, no mínimo, curiosa.
Enquanto o estúdio de alta fidelidade não chega, paira a dúvida: será que o cidadão de Alta Floresta, depois de um dia exaustivo de trabalho, vai trocar o seu podcast de crimes reais ou de futebol para ouvir uma explanação de 40 minutos sobre o “Projeto de Lei nº X”?
Há uma linha muito tênue entre o serviço de utilidade pública e o entretenimento solitário. O grande temor é que o canal da Câmara se transforme em um luxuoso “clube do Bolinha”, onde a audiência se resume a assessores e pessoas ligadas diretamente aos participantes do novo canal a ser instituído, que precisam curtir, comentar e compartilhar, ou, deixar o vídeo rodando no mudo para ajudar nas estatísticas.
