O custo de produção do milho em Mato Grosso registrou aumento de 2,32% em abril de 2026, segundo levantamento do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A elevação foi puxada, principalmente, pelo encarecimento de fertilizantes, corretivos e defensivos agrícolas, em meio às incertezas do mercado internacional e aos reflexos das tensões geopolíticas sobre os preços futuros dos insumos.
De acordo com os dados divulgados pelo levantamento, o custeio da lavoura para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.772,24 por hectare em abril. Entre os itens que mais impactaram o avanço mensal estão os gastos com fertilizantes e corretivos, que tiveram alta de 4,30%, seguidos pelos defensivos agrícolas, com aumento de 2,46%, e sementes, que subiram 0,11%.
O relatório aponta que o cenário internacional segue influenciando diretamente o setor agrícola brasileiro. As incertezas envolvendo o mercado global, especialmente relacionadas à oferta de insumos e à volatilidade cambial, têm pressionado os custos de produção nas propriedades rurais.
Além do custeio, outros indicadores também apresentaram crescimento no período. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 1,72% em comparação com março, encerrando abril em R$ 5.501,12 por hectare. Já o Custo Total (CT) teve alta de 1,25%, alcançando R$ 7.395,26 por hectare.
O estudo também trouxe projeções relacionadas ao ponto de equilíbrio da atividade. Considerando a produtividade estimada da safra 2025/26, calculada em 118,71 sacas por hectare, o produtor precisará comercializar a saca do milho a pelo menos R$ 31,78 para cobrir o custeio da produção. Para arcar com o COE, o valor necessário sobe para R$ 46,34 por saca.
Em abril de 2026, o preço médio projetado para a safra 2026/27 ficou em R$ 45,68 por saca. Com esse valor, o produtor consegue cobrir os custos básicos do cultivo, mas ainda encontra dificuldades para atingir uma margem mais confortável diante do aumento das despesas operacionais.
O cenário exige atenção redobrada dos produtores rurais em relação à comercialização da safra. Especialistas do setor indicam que o acompanhamento constante do mercado poderá ser decisivo para aproveitar oportunidades de venda e minimizar os impactos da elevação dos custos sobre a rentabilidade da atividade.
Mato Grosso é o maior produtor de milho do país e qualquer alteração nos custos de produção tende a repercutir em toda a cadeia do agronegócio, influenciando desde o planejamento das lavouras até as estratégias de comercialização adotadas pelos produtores nas próximas safras.
