Após permanecer relativamente estável durante o primeiro semestre de 2026, o preço da soja disponível em Mato Grosso apresentou forte valorização nas últimas semanas e superou a marca de R$ 120 por saca. O avanço foi impulsionado pela demanda pela oleaginosa, pelo aumento do processamento no Estado e pela alta das cotações internacionais, em um período marcado pela redução da oferta típica da entressafra.
Ao longo dos seis primeiros meses do ano, as indicações da soja disponível em Mato Grosso permaneceram, em sua maior parte, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. Nos últimos dias, porém, as cotações romperam o patamar de R$ 120 por saca.
Na última semana, o indicador estadual registrou média de R$ 121,68 por saca, após avanço semanal de R$ 6,10 por saca. Conforme os dados divulgados, trata-se do maior ganho semanal para o período de comparação desde 2021.
Em relação a julho de 2025, a cotação média ficou R$ 7,40 por saca acima do valor observado no mesmo período do ano passado.
A valorização ocorre durante a entressafra, fase em que a disponibilidade do grão tende a diminuir e os preços normalmente apresentam sustentação. Neste ano, contudo, a intensidade do movimento supera a observada em períodos anteriores e reflete o fortalecimento da demanda pela oleaginosa.
Um dos fatores apontados para o avanço é o crescimento do processamento da soja. O volume destinado ao esmagamento no primeiro semestre de 2026 ficou 4,53% acima do registrado nos seis primeiros meses de 2025, ampliando a procura pelo produto no mercado interno.
O cenário internacional também contribuiu para a valorização. A alta das cotações da soja no mercado externo fortaleceu as referências de preços no Brasil, em um contexto de aumento das compras chinesas de soja produzida nos Estados Unidos.
A combinação entre a demanda interna, o maior ritmo de esmagamento, a menor disponibilidade durante a entressafra e o comportamento positivo do mercado internacional tende a manter os preços da soja fortalecidos nos próximos meses.
A evolução das cotações, no entanto, deverá continuar condicionada ao ritmo das exportações, à demanda da indústria, ao comportamento das compras chinesas, à oferta internacional e às condições de comercialização da nova safra.
