A área destinada ao cultivo de milho em Mato Grosso na safra 2026/27 está estimada em 7,48 milhões de hectares, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em outubro de 2026. O número representa avanço de 0,59% em relação à área registrada na safra 2025/26.
Apesar do crescimento da área, as projeções apontam para uma produção menor no próximo ciclo. A produtividade média é estimada em 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05% em comparação com a safra anterior.
Com a redução esperada no rendimento das lavouras, a produção de milho em Mato Grosso deve alcançar 53,68 milhões de toneladas, volume 7,50% inferior ao registrado no ciclo passado.
Segundo o Imea, a perspectiva mais conservadora para a produtividade está relacionada, entre outros fatores, aos possíveis impactos do El Niño sobre a distribuição das chuvas durante o ciclo de desenvolvimento das lavouras.
Semeadura da soja é ponto de atenção
Outro fator que pode influenciar o desempenho do milho segunda safra é o ritmo de implantação da soja, que iniciou de forma mais lenta em Mato Grosso.
O calendário da segunda safra depende diretamente da colheita da soja. Caso o atraso na semeadura da oleaginosa persista, a janela disponível para o plantio do milho poderá ser reduzida, aumentando a exposição das lavouras aos riscos climáticos no fim do ciclo.
Por outro lado, o cenário pode mudar caso as chuvas se regularizem ao longo de outubro. De acordo com a avaliação apresentada pelo Imea, a elevada capacidade operacional das propriedades mato-grossenses pode permitir uma aceleração dos trabalhos e recuperar parte do atraso inicial observado na soja.
Chuvas podem influenciar janela do milho
A evolução do plantio da soja nas próximas semanas será, portanto, um dos fatores importantes para definir as condições de implantação do milho segunda safra.
Se a semeadura da oleaginosa avançar dentro de um período considerado favorável, parcela relevante das áreas de milho poderá ser implantada dentro da janela ideal. Esse cenário tende a reduzir a exposição das lavouras aos riscos climáticos nas etapas finais do ciclo.
As projeções do Imea mostram, assim, um cenário de expansão da área cultivada com milho em Mato Grosso, mas acompanhado de maior cautela em relação à produtividade e ao volume final produzido.
