A Justiça de Mato Grosso concedeu prisão domiciliar à influenciadora digital presa em Alta Floresta, na quinta-feira (5), durante a Operação Showndown, da Polícia Civil.
Ela é acusada de participação em um esquema de lavagem de R$ 20 milhões do tráfico de drogas proveniente de uma facção criminosa da região. Ela é filha da criminosa Angélica Saraiva de Sá, a Angéliquinha, líder da facção, que está foragida.
A audiência de custódia foi conduzida pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, nesta sexta-feira (6). Na decisão, o magistrado citou a investigada é gestante e mãe de uma criança menor.
Também passaram por audiência o namorado da influenciadora, e o avô dela. Ambos tiveram as prisões preventivas mantidas.
Entre as determinações para a manutenção da domiciliar, a investigada deve comparecer a todos os atos do processo, manter contato telefônico e endereço atualizados, utilizará monitoramento eletrônico e teve a suspensão do passaporte.
A operação
A Polícia Civil cumpriu quatro mandados de prisão contra integrantes da mesma família acusada de fazer a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na região de Alta Floresta.
Além de dos três Angeliquinha também foi alvo da operação. Ela fugiu do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em agosto do ano passado e segue foragida.
O casal foi preso em Alta Floresta. Já o pai de “Angeliquinha” foi localizado e detido em uma região de garimpo em Novo Astro, distrito de Nova Bandeirantes.
Além das prisões, a Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.
As investigações apontam que o grupo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões em valores incompatíveis com a renda declarada. O dinheiro era obtido com o tráfico de drogas comandado por Angeliquinha.
Para dar aparência lícita aos recursos, a família utilizava empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas. Outra ferramenta eram plataformas digitais de jogos de azar on-line, nas quais os valores eram inseridos e posteriormente apresentados como ganhos legítimos.
Um dos braços do esquema era a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta, gerenciado por Paulo Felizardo, pai de Angeliquinha. Ele também administrava um bar e prostíbulo próximo a Nova Bandeirantes, local que, segundo a polícia, servia de apoio para extorsões a garimpeiros e para a prática de tráfico de drogas. O ouro extraído era utilizado como mecanismo para ocultar e reinserir os recursos ilícitos no mercado formal, dificultando o rastreamento financeiro.
