sexta-feira, 19 junho, 2026
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Setor florestal manifesta preocupação com possível restrição ao uso de biomassa de madeira nativa em Mato Grosso

O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (CIPEM) e representantes de sindicatos ligados à cadeia produtiva florestal divulgaram nesta semana um posicionamento público demonstrando preocupação com a possibilidade de o Governo de Mato Grosso restringir a utilização de cavaco de madeira nativa proveniente de áreas de supressão vegetal legalmente licenciadas para geração de energia. Segundo as entidades, a medida pode gerar impactos econômicos, ambientais e sociais em diversas regiões do estado.

A manifestação foi assinada por lideranças do setor de base florestal de Mato Grosso, entre elas o presidente do CIPEM, Gleisson Omar Tagliari, além dos presidentes dos sindicatos que representam a indústria madeireira e de produtos florestais em diferentes regiões do estado. Assinam o documento Flávio Salino Moreira (SIMAS), João Carlos Paulino Júnior (SIMNO), Carlos Roberto Torremocha (SINDILAM), Fernando Zafonato (SINDIFLORA), Felipe Antoniolli (SINDUSMAD), Antônio Luís Benedet (SIMAVA), Dioni Brezovsky Domiciano (SIMENORTE) e Claudinei Melo Freitas (SINDINORTE).

De acordo com as entidades, a madeira utilizada para produção de cavaco é proveniente de áreas que possuem licenciamento ambiental emitido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além de estarem sujeitas a mecanismos de controle e rastreabilidade, como o Documento de Origem Florestal (DOF). O setor argumenta que o material, atualmente utilizado como fonte de energia renovável em indústrias, especialmente no segmento de etanol de milho, deixaria de ter destinação econômica caso a restrição seja efetivada.

A prosposta ventilada pelo estado é queimar a céu aberto. Em pleno 2026, quando o mundo discute transição energética, bioeconomia e descarbonização, descartar milhões de toneladas de biomassa renovável é desperdiçar energia limpa, emprego e arrecadação — logo em um estado referência do agronegócio brasileiro.

Os representantes da cadeia produtiva afirmam que o aproveitamento energético da biomassa permite substituir combustíveis fósseis em processos industriais, reduzindo a emissão de carbono de origem fóssil e agregando valor a resíduos florestais que, segundo o setor, poderiam ser descartados ou queimados sem aproveitamento energético.

Outro ponto destacado pelas entidades refere-se aos impactos econômicos da eventual medida. Conforme os dados apresentados pelo CIPEM, Mato Grosso produziu, em 2024, cerca de 2,63 milhões de metros cúbicos de madeira nativa manejada. Segundo o setor, aproximadamente 30% desse volume pode ser convertido em biomassa para geração de energia.

Na avaliação das entidades, a restrição ao uso do cavaco poderia afetar a arrecadação de tributos, a cadeia logística e a geração de empregos ligados ao segmento florestal. O documento cita ainda a estimativa de que cerca de 12 mil famílias dependam direta ou indiretamente das atividades relacionadas à produção e comercialização de biomassa no estado.

O setor também relaciona a discussão ao crescimento da indústria de biocombustíveis em Mato Grosso. Conforme os representantes, nos últimos anos o estado recebeu investimentos voltados à expansão da produção de etanol de milho, cuja matriz energética depende, em grande parte, do uso de biomassa em caldeiras industriais.

As entidades afirmam que a oferta atual de madeira proveniente de florestas plantadas ainda não seria suficiente para atender toda a demanda industrial. Segundo dados citados no posicionamento, Mato Grosso possui aproximadamente 120 mil hectares de florestas plantadas, enquanto a necessidade estimada para abastecer as unidades de etanol já instaladas chegaria a 380 mil hectares.

Diante desse cenário, o CIPEM e os sindicatos signatários defendem a manutenção do aproveitamento energético da biomassa oriunda de supressão vegetal legalmente autorizada, argumentando que a medida contribui para o uso integral dos recursos florestais e para a ampliação da matriz de energia renovável do estado.

O documento também menciona o papel dos órgãos de fiscalização e controle ambiental, incluindo o Ministério Público, destacando a importância da legalidade, da rastreabilidade e da diferenciação entre atividades autorizadas e práticas ilegais de desmatamento.

Até o momento, não houve divulgação oficial de eventual decisão definitiva sobre o tema por parte do Governo de Mato Grosso. A discussão deverá envolver órgãos ambientais, representantes do setor produtivo e instituições de controle, em um debate que reúne aspectos econômicos, energéticos e ambientais.

A expectativa é que as próximas etapas das tratativas definam os critérios para o aproveitamento da biomassa florestal no estado, tema que vem ganhando relevância diante do avanço da indústria de biocombustíveis e da busca por fontes renováveis de energia em Mato Grosso.

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