A especialização de grupos criminosos em fraudes virtuais no Mato Grosso e no resto do Brasil indica mudanças em alguns comportamentos no uso da internet no país. Os altos índices de crimes virtuais parecem impactar, por exemplo, a adesão a serviços de VPN.
A VPN é um tipo de serviço de cibersegurança que estabelece uma conexão por rede virtual privada. Complementar aos antivírus, esse tipo de ferramenta permite se comunicar e acessar a internet de maneira mais segura e privativa.
De acordo com a pesquisa intitulada “Monitoramento da Conscientização, Uso e Consideração de VPNs de 2025”, os consumidores brasileiros começaram a pagar por esse tipo de serviço. Cerca de 82% dos participantes nacionais conhecem esse tipo de serviço, dos quais 38% usam-no regularmente.
Esses usuários dividem-se entre VPNs pagas (19%), VPNs corporativas (5%), versões teste de VPNs premium (6%) e VPNs gratuitas (16%). Apesar de muita gente ainda usar serviços grátis, foi observada uma queda comparada ao ano passado (17%) – uma mudança positiva em descompasso com tendências de outros países registrados pela pesquisa, como Canadá, Austrália e Reino Unido.
Gratuidade versus segurança real
A mudança no comportamento brasileiro não foi notada apenas na disposição de pagar, mas também no fator motivador para buscar um serviço de VPN. Em anos anteriores, o maior objetivo era acessar conteúdo limitado por geolocalização – como streamings de filmes, séries e esportes. O ano de 2025 destacou-se pela busca de privacidade e proteção na internet.
Nesse sentido, consumidores de todo o mundo comparam há anos VPN grátis versus VPN paga antes de contratar um serviço desse tipo. No entanto, apesar da popularidade ainda alta dos serviços gratuitos, a migração visível de consumidores brasileiros para assinaturas pagas está diretamente ligada à qualidade do serviço.
Quantidade de servidores
Frequentemente, dezenas de milhares de pessoas ou mais aderem a um serviço de VPN. O número de servidores que uma empresa controla está diretamente ligado à capacidade de dar vazão a tantos acessos.
As VPNs grátis tendem a ter menos servidores à disposição ou limitar o acesso a eles, já que essa é uma operação custosa. Além disso, também custa manter uma variedade desses nós de conexão em diversos países.
Essa escassez é ruim para o consumidor de VPNs grátis, que podem querer se conectar a outras localizações em busca de maior velocidade ou para burlar bloqueios geográficos a sites e serviços digitais.
Velocidade de acesso
Apesar de serem mais acessíveis, as opções grátis têm mais dificuldade em custear sua estrutura, como dito anteriormente. Esse aspecto também é um limitante da velocidade de transferência dos dados entre usuários e servidores. Como toda atividade na internet depende dessa velocidade, as VPNs pagas tendem a oferecer serviços mais estáveis e rápidos.
Segurança mais robusta
A mais grave consequência de usar VPNs grátis é a abertura de brechas de segurança. Para serem rentáveis, esses serviços podem hospedar anúncios em suas plataformas, que tanto poluem a visibilidade quanto podem ser passagens para endereços indesejados na internet mediante um click.
Porém, outras vulnerabilidades mais graves ainda podem se abrir. A venda dos dados de usuários para terceiros já foi observada em muitas VPNs gratuitas. A prática compromete gravemente a missão de trazer mais privacidade virtual.
Por fim, os aplicativos sem custo também podem ser instrumentalizados por cibercriminosos. VPNs pagas tendem a ser mais capazes de manter criptografia de ponta e protocolos de segurança avançados conforme as demandas mais modernas de cibersegurança.
O caso da botnet 911 S5 é um grande exemplo da fragilidade dos apps grátis: essa rede de robôs virtuais foi articulada por cibercriminosos usando mais de uma dezena de VPNs para viabilizar seus golpes virtuais: eles sobrecarregavam as máquinas de seus clientes em troca de capacidade de processamento para executar ações ilegais.
