O Centro-Oeste do país vivencia de forma severa os efeitos da estiagem e do calor no Brasil. Segundo pesquisa da Nexus, 39% dos moradores da região citam a seca prolongada e a falta de água como um dos principais impactos climáticos na região no último ano.
O número é quase o dobro da média nacional (22%) e muito à frente das outras regiões do país. Além da seca acentuada, as ondas de calor intenso são apontadas por 63% como o efeito mais evidente no cotidiano. Já as chuvas excessivas e alagamentos foram notados por 20% dos habitantes, enquanto 14% relatam tempestades de vento e granizo.
Sobre as origens das transformações ambientais, 52% dos moradores da região atribuem os eventos climáticos extremos diretamente às ações humanas, já 27% enxergam uma combinação entre fatores humanos e fenômenos naturais. Outros 17% consideram tratar-se apenas de eventos naturais, sem influência da ação do homem.
“O Centro-Oeste, forte produtor agrícola e com biomas como o Cerrado e o Pantanal, sente a disparada da seca prolongada com intensidade quase duas vezes maior que a média brasileira. É um alerta crítico para a segurança hídrica e para a economia local”, avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
Apesar das consequências das mudanças climáticas sentidas pelos moradores do Centro-Oeste, o levantamento revela uma expressiva falta de informação sobre o El Niño na região: 40% dos entrevistados declaram que não ouviram falar e não sabem do que se trata o fenômeno, 4 pontos percentuais acima da média nacional, de 36%. Outros 21% afirmam que já ouviram falar, mas conhecem muito pouco, 13% sabem o que é, mas não acompanham o tema, outros 13% disseram ler pouco sobre o tema e apenas 10% dizem acompanhar o tema de perto.
Entretanto, ao serem informados sobre os efeitos do El Niño, 53% dos habitantes da região passam a demonstrar alto grau de preocupação (notas 4 e 5 em escala de 1 a 5).
A insatisfação com a infraestrutura municipal para enfrentar essas crises também é expressiva no Centro-Oeste. Para 61% dos moradores, a sua cidade e o governo local estão “nada preparados” para lidar com as consequências dos eventos climáticos extremos. Adicionalmente, 20% consideram a preparação “muito pouco adequada”, enquanto apenas 2% apontam preparação total das autoridades locais.
METODOLOGIA
Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem face-a-face domiciliar e coleta de dados georreferenciados. A pesquisa foi realizada com amostra representativa de todos os estados, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.


