domingo, 19 abril, 2026
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Candidatos denunciam falta de transparência em certame

Candidatos que se inscreveram no Processo Seletivo Simplificado nº 01/2019 da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), para contratação temporária de analista de meio ambiente, denunciaram a falta de transparência nos critérios de seleção e alegam que os resultados foram direcionados.

O resultado do certame foi homologado pelo governador Mauro Mendes e publicado na segunda-feira (1).

O edital, publicado em abril, tinha por objetivo o preenchimento de 50 vagas no cargo de analista de meio ambiente, para as funções de biólogo, engenheiros agrícola, florestal, ambiental e agrônomo, geógrafo, gestor ambiental e geólogo. A remuneração oferecida é de R$ 7.003,16, por carga horária de 40 horas semanais.

Segundo um dos candidatos, o processo seletivo foi embasado apenas a experiência profissional e cursos ocorridos, sem a realização de provas escritas. “Sabemos que muitos fizeram esses cursos de última hora, apenas para apresentar os requisitos de processos seletivos”.

Uma candidata também contesta a forma que foi realizada a seleção e que o certame contou com apenas uma etapa, sem provas escritas, sendo que o correto seria em duas fases. “Deveria haver provas de títulos e prova escrita, pois de acordo com a constituição, a de títulos não deve ser de caráter eliminatório”, escreveu.

 

Outro concorrente alega que, aparentemente, foi um processo direcionado para atender pessoas que já atuavam no próprio órgão. “Isso para subir de cargo e aumentar salário. Sabemos que existe um histórico de indicação política e de empresários de setores ligados ao meio ambiente, com perfis fortes em Mato Grosso”, declarou à reportagem.

 

“Eu e vários colegas seguimos todas as regras estabelecidas no edital. Fiz as declarações conforme as especificações do edital, comprovando experiências com mais de 300 projetos na área. Mesmo assim, fiquei de fora” lamentou um engenheiro.

 

Os postulantes pedem clareza nos critérios de análise, realizados pela Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat). “O edital diz que seria utilizada a Tabela de Barema, mas queremos mais transparência nesse processo”, destacou outra engenheira, que possui mais de 14 anos de experiência.

 

“Todas as minhas experiência estão registradas em carteira, até mesmo meu estágio da faculdade que foi com base em geoprocessamento e análise ambiental. Todos os ducumentos foram anexados ao processo e mesmo entrando com recursos, minha inscrição foi indeferida”.

 

Os profissionais ouvidos pela reportagem disseram ainda que irão realizar a denúnica no Ministério Público Estadual. 

 

O outro lado

A assessoria da Sema que informou que não houve direcionamento no certame e que o edital estabelece como critérios experiência na elaboração e/ou análise do CAR, entre outros, conferindo a oportunidade de ter êxito na seleção aos candidatos que já atuaram em qualquer uma das etapas.

Confira a nota na íntegra.

Para fins de publicidade e transparência, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) esclarece que não há direcionamento no edital para seleção de 50 analistas temporários que irão promover a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O edital estabelece como critérios experiência na elaboração e/ou análise do CAR, entre outros, conferindo a oportunidade de ter êxito na seleção aos candidatos que já atuaram em qualquer uma das etapas do CAR. 

Além disso, o modelo proposto dentro do Barema descrito no edital também estabelece critérios como, formulação acadêmica, titulação e cursos.

O processo seletivo foi executado pela Unemat, por meio da Assessoria de Gestão de Concursos e Vestibulares, e todas as etapas foram amplamente divulgadas conferindo impessoalidade e transparência ao processo seletivo.

Representantes da Sema, Unemat estiveram no Ministério Público Estadual (MPE-MT) no mês de maio para prestar esclarecimentos sobre a lisura do processo seletivo. Na ocasião, a Unemat esclareceu que possui expertise na realização de processos seletivos e que os critérios são estritamente objetivos. Não é possível, por exemplo, qualificar um curso subjetivamente. 

A Sema também explicou aos promotores presentes que foram utilizados apenas critérios objetivos, sem realização de prova didática, devido à necessidade de contratação urgente. Dessa forma, todo o processo está tendo o devido acompanhamento legal por parte dos órgãos de controle.

A seletiva foi aberta para atender uma necessidade pontual da Sema que hoje possui mais de 60 mil cadastros aguardando análise e validação do CAR. O reforço na equipe, que hoje conta apenas com doze profissionais, foi acordado com o Ministério Público Estadual por meio de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) firmado no início de 2019. 

No documento, foram elencadas uma série de ações propositivas com o objetivo de alavancar as análises dos cadastros enviados no Simcar. Dessa forma, a Sema reitera a lisura do processo seletivo e reforça sua missão em contribuir para o desenvolvimento sustentável do Estado.

 

Fonte: Viviane Saggin – Gazeta Digital – Foto: Reprodução

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