O braço de ferro entre o governo federal e os caminhoneiros ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (18). Em reunião realizada para definir os rumos da categoria, as principais lideranças do setor decidiram condicionar qualquer mobilização à publicação oficial das medidas prometidas pela gestão atual. O anúncio oficial sobre uma possível paralisação foi adiado para esta quinta-feira (19).
A estratégia de “esperar para ver” foi confirmada por Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava). Segundo o representante, a categoria só terá segurança para tomar uma decisão após a leitura do instrumento normativo — como um decreto ou portaria — que formalize os compromissos assumidos pelo governo.
“A avaliação é de que apenas após a formalização das medidas será possível entender se as demandas foram, de fato, atendidas”, pontuou Landim.
A pauta de reivindicações é extensa, mas foca em gargalos históricos do setor de transporte de cargas. O diálogo com o ministro dos Transportes, Renan Filho, gira em torno de quatro pilares fundamentais:
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Piso Mínimo do Frete: Garantia do cumprimento da tabela e maior rigor na fiscalização contra o descumprimento.
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Preço do Diesel: Preocupação com a volatilidade dos combustíveis e o impacto direto nos custos operacionais.
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Pedágios: Mudanças na política de cobrança e concessões.
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Fiscalização: Reforço operacional para garantir que as normas de transporte sejam respeitadas em todo o território nacional.
Apesar da abertura para o diálogo, o clima ainda é de cautela e a possibilidade de uma greve nacional não foi descartada. O movimento afirma que a paciência dos motoristas depende da clareza do texto final e, principalmente, da viabilidade de implementação das medidas.
A expectativa é que o governo publique o instrumento normativo nas próximas horas. Assim que o documento for disponibilizado, as lideranças se reunirão novamente para uma análise técnica.
Caso os termos sejam considerados insuficientes ou vagos, a categoria promete anunciar um calendário de mobilização. Por outro lado, se o texto atender às expectativas de Chorão e demais líderes, a ameaça de paralisação pode ser dissipada, dando lugar a um período de monitoramento do cumprimento das promessas.


