Uma reunião realizada na segunda-feira (19), na sede da Energisa, em Alta Floresta (MT), marcou a apresentação de uma série de reivindicações da Associação de Moradores do Bairro Almeida Prado (AMAP) para buscar soluções aos recorrentes problemas no fornecimento de energia elétrica na comunidade. Durante o encontro, representantes da entidade entregaram um requerimento técnico-jurídico à concessionária, que demonstrou receptividade às demandas e se comprometeu a realizar a poda preventiva de árvores que estejam interferindo na rede elétrica do bairro.
O documento foi entregue pelo Grupo de Trabalho (GT) da AMAP diretamente a Romério Bráz, analista comercial da Energisa em Alta Floresta. A associação busca medidas para melhorar a estabilidade do fornecimento, prevenir novas interrupções e adequar a infraestrutura elétrica ao crescimento do loteamento.

Segundo o levantamento apresentado pela entidade, foram contabilizados 75 dias com registros de falhas no fornecimento de energia, entre 10 de janeiro de 2024 e 13 de outubro de 2026. O relatório reúne 58 interrupções totais, 13 episódios de oscilação, descritos como “meia fase”, e quatro desligamentos programados.
A AMAP também afirma que intervenções realizadas pela concessionária em novembro de 2025 foram paliativas e não resolveram os problemas de forma suficiente.
Entre as medidas discutidas na reunião, a poda das árvores cujos galhos estejam em contato com a fiação elétrica foi apontada como uma ação de impacto imediato. Conforme a associação, a concessionária se propôs a executar o serviço para reduzir riscos de curtos-circuitos e novas interrupções no fornecimento.
Além dessa providência, a AMAP apresentou outras solicitações consideradas necessárias para enfrentar as falhas recorrentes e melhorar a estrutura de distribuição de energia no Almeida Prado.
Uma das principais reivindicações é a realização de um estudo técnico para implantação de um segundo alimentador independente, com um ponto de manobra. A proposta é evitar que problemas registrados em outros setores da rede deixem o bairro sem fornecimento de energia.
A entidade também solicitou a instalação de equipamentos para medir a qualidade da energia elétrica durante 168 horas consecutivas, o equivalente a sete dias. O monitoramento deverá ocorrer em três pontos estratégicos do bairro, com acompanhamento de um engenheiro eletricista.
Outro pedido é a apresentação de um plano executivo de investimentos para expansão e reforço da infraestrutura elétrica, considerando a capacidade de ocupação plena do loteamento.
O documento entregue à Energisa também solicita ajustes nos canais de atendimento da concessionária. A associação quer garantir que novos protocolos de reclamação possam ser registrados mesmo quando houver solicitações anteriores em aberto para a mesma unidade consumidora.
A AMAP ainda pede a apuração dos indicadores individuais e coletivos de continuidade do fornecimento de energia — DIC, FIC, DEC e FEC — para verificar se os moradores têm direito a compensações financeiras, com eventual crédito automático dos valores devidos.
Com base na Lei de Concessões (Lei nº 8.987/1995), no Código de Defesa do Consumidor e na Resolução Normativa nº 1.000/2021 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o requerimento estabelece prazo de 30 dias para que a Energisa apresente uma resposta por escrito e um cronograma formal das obras e dos investimentos solicitados.
A diretoria da Associação de Moradores do Almeida Prado, por meio do presidente Ronald Fenta Figueiredo, destacou a receptividade demonstrada durante a reunião e afirmou que a prioridade é buscar uma solução por meio do diálogo técnico com a concessionária.
No entanto, a entidade informou que, caso não sejam apresentadas soluções concretas dentro do prazo estabelecido, poderá adotar medidas administrativas junto à ANEEL e à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (AGER-MT), além de recorrer às medidas judiciais consideradas necessárias para defender os direitos dos moradores.
