quinta-feira, 11 junho, 2026
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Águas que Conectam Territórios: encontro promove diálogo sobre o futuro e a segurança hídrica da Bacia do Teles Pires 

Nos dias 16 e 17 de junho, Alta Floresta (MT) sediará o 1º Encontro Águas da Bacia do Teles Pires. O evento será um espaço de diálogo e articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil, universidades, representantes dos Comitês de Bacias Hidrográficas, povos indígenas, comunidades tradicionais, setor produtivo e demais atores estratégicos do território do estado de Mato Grosso e do estado do Pará.  

Ao longo dos dois dias de programação, o encontro reunirá mesas temáticas, estudos de caso e compartilhamento de experiências voltadas à gestão integrada dos recursos hídricos, aos múltiplos usos da água e às soluções já desenvolvidas para segurança hídrica na região. A proposta é fortalecer conexões, ampliar a participação social e construir perspectivas colaborativas para o futuro da bacia do rio Teles Pires diante dos atuais desafios socioambientais e climáticos. 

A mobilização em torno do evento reflete uma preocupação crescente com a segurança hídrica na região. Para Gercilene Meira, presidente do Comitê de Bacia do Baixo Teles Pires, o encontro representa uma oportunidade para reunir diferentes perspectivas, fortalecer a governança das águas e construir, de forma coletiva, caminhos para a segurança hídrica da Bacia do Teles Pires. “Mais do que discutir desafios, queremos criar conexões e fortalecer a cooperação necessária para garantir água em quantidade e qualidade para as atuais e futuras gerações”.  

A discussão ganha ainda mais relevância diante dos impactos recentes das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos da região. Em 2024, o Rio Taxidermista, responsável pelo abastecimento de Alta Floresta, secou em decorrência da estiagem prolongada e da irregularidade das chuvas. Na ocasião, a população enfrentou racionamento severo e desabastecimento de água. 

“Infelizmente, esse “novo normal” climático na região se consolidou de forma nítida nos últimos anos. As principais marcas não são apenas o aumento da seca e a redução do volume total de chuvas, mas sim o colapso da previsibilidade das estações e a intensificação de extremos térmicos. É uma realidade que afeta e afetará cada vez mais toda sociedade e que demandará respostas rápidas e adaptações estruturais voltadas à gestão estratégica e participativa dos recursos hídricos”, pontua Vinicius Silgueiro Coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV). 

O Rio Taxidermista integra a bacia hidrográfica do Teles Pires, cuja foz está localizada no extremo norte de Mato Grosso, próxima à divisa com o Pará, onde se encontra com o Rio Juruena para formar o Rio Tapajós. O Teles Pires é um dos principais afluentes da Bacia Hidrográfica do Tapajós e desempenha papel fundamental para a manutenção dos ecossistemas, das atividades produtivas e da qualidade de vida das populações que vivem em seu entorno. 

Por sua conexão com a Bacia do Tapajós, o encontro também será um espaço de intercâmbio de experiências entre diferentes territórios amazônicos. Entre os participantes estarão os Defensores e Defensoras das Águas do Tapajós, mobilização que integra o projeto “Rumo a uma Gestão Participativa da Água na Bacia do Tapajós”, em parceria com o Movimento Tapajós Vivo, a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (FEPIPA) e o WWF-Brasil.

Essa troca de experiências representa uma oportunidade de aprendizado mútuo e de fortalecimento das ações voltadas à conservação dos recursos hídricos e à participação social na gestão das águas.  

“Não existe governança das águas sem a participação dos povos indígenas. Somos guardiões dos rios, das nascentes e dos territórios, e por isso precisamos estar nos espaços onde se discute o futuro das águas. Participar deste encontro é fortalecer nossa incidência política, ampliar nossa voz e garantir que os conhecimentos dos povos indígenas sejam considerados nas decisões que impactam a Bacia do Tapajós. As decisões sobre os nossos rios precisam ouvir quem protege essas águas há gerações”, destaca Concita Sompré, presidenta dos Articuladores da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (FEPIPA). 

O 1º Encontro Águas da Bacia do Teles Pires é realizado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pelo Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes da Margem Esquerda do Baixo Teles Pires, por meio do projeto “Rumo a uma Gestão Participativa da Água na Bacia do Tapajós”. 

Para Deroní Mendes, coordenadora do Programa de Transparência e Justiça Climática do Instituto Centro de Vida (ICV) o evento parte da estratégia de voltado para fortalecer e ampliar o protagonismo de povos indígenas e comunidades locais do Pará e Mato Grosso nos espaços de tomada de decisão sobre a governança hídrica das águas na bacia do tapajós nesses dois estados, como os comitês de bacias. “Governança das águas se faz com diálogo e participação plena e efetiva, todos os atores, especialmente, dos grupos vulnerabilizados economicamente”, finaliza.  

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas através do link: https://www.sympla.com.br/evento/1-encontro-aguas-da-bacia-do-teles-pires/3436486

Esta ação faz parte do projeto Rumo a uma Gestão Participativa de Água na bacia do Rio Tapajós, financiado pelo Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, por intermédio da rede WWF. A realização é feita por um consórcio de parceiros formado por Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), Instituto Centro de Vida (ICV), Movimento Tapajós Vivo (MTV) e WWF-Brasil. 

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