A semeadura do milho da safra 2025/26 em Mato Grosso alcançou 81,93% da área estimada entre os dias 23 e 27 de fevereiro, conforme levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço semanal foi de 15,60 pontos percentuais, demonstrando aceleração nos trabalhos a campo, apesar das dificuldades climáticas registradas no período.
Mesmo com o progresso, o ritmo dos trabalhos segue 3,02 pontos percentuais abaixo do observado na safra 2024/25. O principal fator para o atraso é o excesso de chuvas no estado, que comprometeu o acesso de máquinas às áreas e limitou as operações, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Nessas localidades, o atraso anual chega a 18,74 p.p. e 4,87 p.p., respectivamente.
Ainda assim, segundo o Imea, a maior parte da área foi implantada dentro da janela considerada ideal, o que mantém expectativa positiva quanto à produtividade da safra. Para os próximos dias, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos projeta acumulados de chuva entre 75 e 85 milímetros na maior parte de Mato Grosso. O volume pode favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras já semeadas, mas também exige cautela dos produtores no planejamento das áreas remanescentes.
No mercado internacional, o preço do milho na Bolsa de Chicago registrou alta de 1,15% na última semana. O movimento foi impulsionado pela divulgação, no dia 27 de fevereiro, de uma venda de 270 mil toneladas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o que trouxe sustentação às cotações externas.
No cenário dos prêmios de exportação, o valor médio no porto de Santos apresentou crescimento de 3,98%, encerrando o período com média de US$ 0,95 por bushel. Por outro lado, o diferencial de base entre Mato Grosso e Chicago (MT/CME) recuou 3,60% na média semanal, impactado diretamente pela valorização do cereal no mercado internacional.
Na B3, o contrato do milho fechou a semana com média de R$ 71,24 por saca, registrando leve queda de 0,28% em relação à semana anterior. No início do período, as cotações foram pressionadas pela desvalorização do dólar, que recuou 1,30%, reduzindo a competitividade nos portos. Ao longo da semana, o mercado operou de forma lateralizada, refletindo estoques ainda elevados em algumas regiões do estado.
Apesar da leve retração nos preços, o atraso no plantio diante do excesso de chuvas trouxe preocupação quanto ao encerramento da janela ideal, oferecendo suporte às cotações e mantendo o viés de atenção sobre o clima. Para a próxima semana, o mercado do milho na B3 deve seguir atento ao cenário geopolítico internacional e ao avanço da semeadura da safra 2025/26. Caso se confirme a expectativa de uma boa safra, o aumento da oferta poderá ampliar a pressão baixista sobre os preços do grão.
