domingo, 4 outubro, 2026
InícioAGRONEGÓCIOSRebanho bovino recua, mas exportações de carne batem recorde em 2025

Rebanho bovino recua, mas exportações de carne batem recorde em 2025

O rebanho bovino brasileiro encerrou 2025 com 234,3 milhões de cabeças, uma queda de 1,7% em relação a 2024. É a segunda retração anual consecutiva e o menor efetivo desde 2022, quando o país tinha 234,9 milhões de animais, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (30).

A trajetória recente mostra uma clara mudança de ciclo. Depois de quatro anos seguidos de crescimento, o rebanho bateu recorde em 2023, com 238,6 milhões de cabeças. A partir daí, a curva se inverteu: em 2024, houve uma leve retração de 0,2%, para 238,2 milhões, seguida da queda mais acentuada registrada no ano passado.

O movimento marca o fim do ciclo de retenção de matrizes que havia sustentado a expansão do rebanho entre 2019 e 2023 e dá lugar a uma fase de reorganização da produção, puxada pela demanda aquecida por carne bovina no mercado interno e, principalmente, externo.

Os frigoríficos brasileiros nunca tiveram um ano tão bom comercialmente quanto 2025. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o setor fechou o último ano com embarques que somaram 3,853 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação ao ano anterior, enquanto a receita avançou quase 40%, alcançando US$ 18,365 bilhões, apesar da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos a produtos nacionais.

Mesmo com a queda no número de animais, o valor da produção pecuária brasileira bateu recorde em 2025, somando R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2% em relação a 2024 — resultado puxado principalmente pela produção de leite de vaca, que respondeu por 63,4% do total. O mercado lácteo bateu recorde pelo terceiro ano consecutivo, com 36,7 bilhões de litros em 2025, mesmo com o menor número de vacas ordenhadas desde o início da série histórica do IBGE, em 1974, resultado do aumento de produtividade, investimento em genética, manejo e reorganização da base produtiva.

Fêmeas

Segundo o IBGE, a redução do efetivo está diretamente ligada ao aumento do abate nos últimos quatro anos, sobretudo de fêmeas que, pela primeira vez desde 1997, superou o de machos no país. A prática visa manter os estoques para atender as demandas dos mercados interno e externo no curto prazo, mas reduz a base de matrizes disponíveis para reposição e tende a diminuir a oferta de bezerros nos próximos anos — um movimento que especialistas do setor já apontam como fator de pressão para a valorização da arroba do boi e do preço do bezerro em 2026.

Para o instituto, o movimento de queda do rebanho bovino reflete um processo mais amplo de otimização da pecuária brasileira, no qual o aumento do abate reduz o número total de animais, mas é compensado por ganhos de produtividade e por preços mais firmes no mercado interno e externo — uma dinâmica que, segundo analistas do setor, deve continuar influenciando os preços da arroba e da carne bovina ao consumidor nos próximos anos.

Currais

A retração não ocorreu de forma uniforme entre as regiões. O Centro-Oeste, que concentra o maior rebanho do país (72,2 milhões de cabeças, ou 30,8% do total), teve o terceiro recuo anual seguido, de 3,7%. O Norte caiu 1,8%, para 63,4 milhões de cabeças, enquanto Sudeste e Sul também registraram o terceiro ano consecutivo de queda, de 1,0% e 1,7%, respectivamente, somando 37,3 milhões e 24,1 milhões de animais. O Nordeste foi a única região a ampliar o efetivo, com alta de 2,2%, para 37,3 milhões de cabeças.

No ranking municipal, São Félix do Xingu (PA) manteve a liderança nacional, com 2,7 milhões de bovinos, o equivalente a 1,2% do rebanho do país. Em seguida aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões de cabeças; Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão.

O cenário do bovino contrasta com o de outros rebanhos do país, que renovaram recordes em 2025: o efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças, o de caprinos a 13,5 milhões e o de ovinos a 22,3 milhões de animais, todos com alta em relação ao ano anterior. Já o rebanho suíno permaneceu estável, em 44 milhões de cabeças.

Participe do nosso grupo de Whatsapp

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais popular