Famílias e grupos de agricultores e agricultoras familiares da Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense (Repoama) estão prestes a receber uma inédita certificação orgânica nas regiões norte e noroeste de Mato Grosso.
Ao longo dos últimos meses, membros da rede realizaram vistorias nas propriedades interessadas no processo. Esta etapa, que inclui visitas de pares e da comissão de ética, é prevista para obter a certificação por meio do chamado Sistema Participativo de Garantia (SPG).
Durante o processo, foram analisados os insumos utilizados na produção e as técnicas de manejo, bem como documentos importantes para a avaliação da conformidade. Este é o último passo para que os produtores possam comercializar seus produtos com o selo.
Conforme explicou o técnico socioambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), Jessé Lopes, pontos como o armazenamento dos insumos, os perigos de contaminação hídrica na propriedade, o bem-estar animal e o manejo do lixo também foram analisados.
“Este é um momento de olhar externo, de controle social. É um momento em que os grupos acabam criando mais interação com diálogo sobre a produção orgânica e que todos têm a liberdade para dar orientações, argumentar, falar sobre o manejo que é realizado na propriedade e receber dicas de pessoas que talvez já tenham mais experiência, uma expertise diferente que pode ser adaptada ali na unidade de produção.”
Os produtores e produtoras da Repoama são dos municípios de Alta Floresta, Paranaíta, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde e Colniza. Grande parte deles já produzia sem utilizar agrotóxicos há anos.
Contudo, foi só após a rede ser credenciada como SPG pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no início deste ano, que o sonho da certificação ficou mais próximo de se tornar realidade.
A rede é o primeiro SPG da agricultura familiar não-indígena em Mato Grosso. Para os pequenos produtores, é o método mais rentável, democrático e viável de certificação.
“Em paralelo à essa questão da produção orgânica, também é nítido um avanço na questão ambiental. As famílias acabam tendo uma compreensão maior do uso sustentável dos recursos naturais, buscam se adequar à regularização ambiental e são mais receptivas a implementação de sistemas mais sustentáveis”.
Com o fim das visitas, a comissão de ética e demais presentes emitem um parecer dizendo se a propriedade está apta ou não a receber o certificado e, a partir disso, comercializar sua produção como orgânica. As famílias são, por fim, cadastradas no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg).
Repoama
A rede foi formalizada em 2019 e é composta por 13 organizações comunitárias dos municípios de Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes, Cotriguaçu e Colniza, nas regiões norte e noroeste de Mato Grosso.
Ela surgiu a partir de uma iniciativa do ICV, com financiamento do Fundo Amazônia/BNDES, do Programa Global REDD Early Movers (REM) e da União Europeia.
