De acordo com o 2º levantamento das intenções de confinamento para 2025 realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o número de bovinos terminados em regime de confinamento no estado deve alcançar 926,78 mil cabeças neste ano. O volume representa uma alta de 3,84% em relação a 2024, mesmo diante da redução no número de pecuaristas que optaram por adotar o sistema.
O estudo, realizado ao longo de julho com 116 produtores participantes, mostra que a recuperação dos preços do boi gordo foi determinante para sustentar a intensificação da atividade, compensando o aumento nos custos. A diária por animal em 2025 foi estimada em R$ 13,25/cabeça/dia, alta de 11,93% em comparação ao ano anterior, reflexo da valorização do milho — principal insumo alimentar.
Apesar disso, a relação de troca boi/milho atingiu 5,52 sacas/@, a melhor média desde 2019, garantindo margens mais favoráveis. Segundo o levantamento, cerca de 80% dos insumos já foram negociados pelos confinadores, muitos aproveitando a janela de preços mais baixos do milho no estado.
Perfil dos confinadores
O estudo revela um crescimento expressivo no volume confinado em unidades de pequeno porte (até 1.000 cabeças). Parte desse movimento se deve ao retorno de pecuaristas que não confinaram em 2024, mas retomaram a prática em 2025 diante da melhora na rentabilidade.
Por outro lado, 71,43% das propriedades que não irão confinar neste ano também possuem capacidade estática de até 1.000 cabeças, evidenciando uma maior concentração da decisão de não investir em estruturas mais onerosas. A categoria de confinamentos entre 1.001 e 2.000 cabeças foi a única a registrar retração no volume, embora ainda represente a segunda menor participação no estado.
Entre os confinadores ativos, 22,22% utilizam o sistema de boitel (terceirização do confinamento). Nesse grupo, a expectativa é de que 56,67% dos animais terminados sejam de terceiros, reforçando a importância desse modelo de negócio.
Alternativas ao confinamento
O levantamento do IMEA também apontou o avanço de outros sistemas de terminação. A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) tem ganhado espaço principalmente entre os pecuaristas que optaram por não confinar em 2025, chegando a 18,18% de adesão. Entre os confinadores, esse índice é menor, de 6,90%. Já o semi-confinamento manteve participação semelhante à de anos anteriores.
Cenário favorável à atividade
Mesmo em um contexto de insumos mais caros, a melhora na margem da atividade impulsionou a intenção de confinar neste ano. Para o IMEA, o resultado reflete o alinhamento entre preços mais firmes da arroba e gestão antecipada de custos pelos pecuaristas.
Com isso, Mato Grosso segue consolidado como um dos principais polos de confinamento do país, equilibrando estratégias de intensificação e uso de sistemas alternativos para garantir eficiência na produção de carne bovina.
