terça-feira, 26 maio, 2026
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Colheita de soja se aproxima do fim em Mato Grosso e safra pode ser recorde histórico

A colheita da soja da safra 2025/2026 em Mato Grosso caminha para o encerramento com desempenho acima da média histórica e expectativa de produção recorde. Até a última sexta-feira (27), os trabalhos no campo alcançaram 99,74% dos 13,01 milhões de hectares previstos, avanço de 0,60 ponto percentual na semana.

O ritmo está 1,35 ponto percentual acima da média dos últimos cinco anos, embora ainda ligeiramente inferior — 0,18 ponto percentual — ao registrado no mesmo período da safra anterior. A tendência, segundo analistas do setor, é de conclusão total da colheita ao longo da próxima semana.

Regionalmente, o desempenho é praticamente uniforme, com destaque para as regiões Oeste e Centro-Sul, que já atingiram 99,94% e 99,55% das áreas colhidas, respectivamente. No Oeste, apenas municípios do Vale do Guaporé ainda não finalizaram as operações. Já as regiões Nordeste (99,47%) e Sudeste (99,38%) apresentam leve atraso em relação ao ciclo passado, reflexo de uma semeadura mais tardia e das condições climáticas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Com o avanço consolidado, a produção estadual pode alcançar 51,51 milhões de toneladas, o que configuraria a maior safra de soja da história de Mato Grosso — principal produtor nacional da oleaginosa.

Preços em alta e mercado aquecido

No mercado, o cenário também é positivo para os produtores. O diferencial de base entre Mato Grosso e a Chicago Mercantile Exchange (CME) registrou aumento de 6% na comparação semanal, impulsionado pela valorização interna dos preços.

A paridade de exportação para março de 2027 avançou 1,36%, refletindo a alta nos prêmios de exportação no porto de Paranaguá. Já o indicador Cepea para Paranaguá teve elevação de 0,92%, encerrando a semana com média de R$ 129,93 por saca.

Biodiesel impulsiona demanda e sustenta preços

Outro fator determinante para a sustentação dos preços é o aumento da demanda por biodiesel. O avanço das cotações do petróleo no mercado internacional tem encarecido o diesel fóssil, elevando a competitividade dos biocombustíveis.

Esse movimento aquece a procura por óleo de soja — principal matéria-prima do biodiesel — e, consequentemente, estimula o esmagamento do grão. Na última semana, o preço do óleo de soja em Mato Grosso subiu 1,48%, sendo negociado a R$ 5.886,75 por tonelada.

Em fevereiro de 2026, a produção de biodiesel no estado atingiu 195.343 metros cúbicos, um salto de 114,38% em relação ao mesmo período do ano anterior e 64,07% acima da média dos últimos cinco anos. Mato Grosso respondeu por 22,65% da produção nacional em 2025, consolidando-se como protagonista no setor.

A perspectiva de ampliação da mistura obrigatória de biodiesel para B16 ainda em 2026 reforça essa tendência. A medida deve reduzir a dependência do diesel fóssil e ampliar ainda mais a demanda por óleo de soja, contribuindo para absorver a oferta mesmo em cenários de safras recordes.

Perspectiva positiva

Com colheita praticamente concluída, preços firmes e demanda aquecida, o cenário para a soja em Mato Grosso segue favorável. A combinação de fatores internos e externos indica sustentação dos preços no curto prazo e reforça o protagonismo do estado no agronegócio brasileiro.

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