Alta Floresta (MT), 13 de dezembro de 2018 - 19:44

Saúde

28/11/2018 08:54 Aline Almeida - Gazeta Digital

Casos de HIV crescem 905% em Mato Grosso

Em 10 anos, os casos de HIV (vírus da imunodeficiência humana) cresceram 905% em Mato Grosso. Boletim epidemiológico divulgado ontem terça-feira (27) pelo Ministério da Saúde aponta que de 76 notificações em 2007, o Estado passou para 764 em 2017. Somente nos dois últimos anos, 2016 e 2017, o crescimento foi de 32%, passando de 576 casos para 764.  

O levantamento aponta ainda que a taxa de detecção de gestantes com HIV notificada no ano passado em Mato Grosso atingiu o percentual de 2,8 a cada 1 mil nascidos vivos. No total, os registros em gestantes no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) referente ao Estado alcançou 148 grávidas com HIV em 2017. Até o primeiro semestre deste ano já chegava a 82. Em relação a Cuiabá, a taxa de detecção em gestantes no ano passado foi de 2,3.   

No Brasil, em 2017, foram 42.420 novos casos de HIV. De 2007 até junho de 2018, foram notificados no Sinan 247.795 casos de infecção pelo HIV. Destes, 68,6% eram homens e 31,4% mulheres. A maioria dos casos encontra-se na faixa etária de 20 a 34 anos, com percentual de 52,6% dos casos; 46,1% dos casos ocorreram entre brancos e 52,9% entre negros.   

Coordenadora Técnica do Programa IST Aids e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, Mariella Padilha afirma que o aumento nas notificações devese ao maior acesso às informações e aos tratamentos. Segundo a coordenadora, as pessoas estão buscando mais os serviços, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). “Antes as pessoas morriam da doença, hoje não. O tratamento e a medicação estão acessíveis. As pessoas vivem normalmente, têm filhos”, destaca.  

Mariella frisa que aos testes rápidos estão disponíveis nas unidades de saúde e em 30 minutos é possível saber se tem ou não uma doença sexualmente transmissível. Em Cuiabá, o teste rápido pode ser feito no Serviço de Assistência Especializada (SAE), bairro Grande Terceiro e nas policlínicas do Verdão, Coxipó e Planalto. Tanto o teste como o tratamento são sigilosos, sem expor pacientes. “O preconceito ainda é muito grande. Ele inclusive impede que as pessoas busquem o atendimento. Mas é importante frisar que tudo é feito da forma mais sigilosa possível”, destaca.   

A coordenadora frisa ainda a importância do uso de preservativos, único meio que previne as doenças sexualmente transmissíveis. Os preservativos também são disponibilizados em toda a rede pública de saúde.   

HIV

O HIV, sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As mais atingidas são as células brancas de defesa, os leucócitos. O vírus se insere dentro do DNA destas células e faz milhões de cópias de si mesmo, rompendo a célula em busca de outras para continuar a infecção.  

Falta informação   Casos de HIV (vírus da imunodeficiência humana) entre jovens de 13 a 19 anos quase dobraram em Mato Grosso. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que entre os anos de 2016 e 2017 a detecção do vírus nesta faixa etária saiu de 7,6 para 13,7 a cada 100 mil. No geral a taxa de detecção por 100 mil habitantes saiu em 2013 de 8,0 para 26,2 em 2017. No Estado os homens tem 2,5 mais chances de infectar com o vírus.  

Técnica da SES na área de IST(Infecções Sexualmente Transmissíveis), Aids e Hepatites Virais, Valéria Francischini alerta que a população precisa conscientizar para a epidemia que estamos vivendo. “A população não se ateve ao tamanho da epidemia. Desde os preservativos, a testagem e todo o tratamento está disponível na rede pública”, destaca.   

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde quanto ao aumento dos casos diagnosticados da infecção por HIV pode-se sugerir que ainda existe falta de conhecimento da população quanto a possibilidade de realização do exame. E ainda por ser uma doença silenciosa, muitas pessoas não conhecem a magnitude da epidemia no país e consequentemente em Mato Grosso, o que faz com que ainda realizem relações sexuais sem uso de preservativos ou ainda compartilham seringas e outros materiais potencialmente contaminados.   

Valéria frisa que é necessário fomentar os serviços da atenção básica a ofertarem a sorologia para o diagnóstico do HIV para todas as pessoas e principalmente às gestantes. “O tratamento não é difícil. Mas é importante reforçar esta rede”, destaca.   

5,6/100 mil habitantes  

Dados do Ministério da Saúde apontam que 206 pessoas morreram por Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) em Mato Grosso somente no ano passado. A taxa de mortalidade no Estado é de 5,6 a cada 100 mil habitantes. O percentual fica acima do nacional que é 4,8/100 mil. Em Cuiabá o coeficiente de mortalidade chega a 3,0 por 100 mil pessoas.   

O boletim, divulgado pelo Ministério da Saúde, traz ainda a notificação de 737 casos de Aids no Estado no ano passado. A taxa de detecção é de 22,3 casos a cada 100 mil habitantes. Até junho deste ano os registros somam 317 casos no Estado.   No país foram 37.791 notificações durante todo o ano passado, sendo 18,3 casos a cada 100 mil. Foram 15.471 notificações no primeiro semestre deste ano.  

No ranking da taxa de detecção, quando consideradas as capitais, Cuiabá ocupa o 13º lugar em notificações por Aids. A Capital tem 30,6 notificações a cada 100 mil habitantes.   

Desde o início da epidemia de Aids (1980) até 31 de dezembro de 2017, foram notificados no Brasil 327.655 óbitos tendo o HIV/ Aids como causa básica. De 1980 a junho de 2018, foram identificados 926.742 casos de Aids no Brasil. Deste total, 606.936 (65,5%) foram em homens e 319.682 (34,5%) em mulheres.   

O país tem registrado, anualmente, uma média de 40 mil novos casos de Aids nos últimos cinco anos. No período de 2007 a 2017, verificou-se uma queda de 14,8% no coeficiente de mortalidade padronizado para o Brasil, que passou de 5,6 para 4,8 óbitos por 100 mil habitantes.   

Ranking   

O boletim traz ainda o ranking que considera todos indicadores da Aids (detecção, mortalidade e outros). Em relação aos estados, Mato Grosso ocupa a 11ª posição e entre as capitais Cuiabá aparece em 7º lugar. Já no ranking dos 100 municípios com mais de 100 mil habitantes Rondonópolis e Cuiabá aparecem em 16º e 42º lugar respectivamente em relação aos casos de Aids.

Outro lado

Segundo a SES no ano passado Mato Grosso registrou 26,2 casos de HIV a cada 100 mil. A faixa etária entre 20 e 29 anos tem a maior taxa de detecção com registro de 52,7 jovens a cada 100 mil. Em relação ao sexo, 71,9% dos casos no Estado são em homens e 28,1% em mulheres.


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