Alta Floresta (MT), 27 de abril de 2018 - 00:33

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Política

06/04/2018 04:57 Kamila Arruda - Diário de Cuiabá

Carlos Fávaro renuncia ao cargo de vice

O vice-governador Carlos Fávaro (PSD) renunciou ao cargo na manhã de ontem, quinta-feira (05). Ele protocolou a carta de renúncia junto à presidência da Assembleia Legislativa e negou que sua atitude tenha sido motiva por traição por parte do governador Pedro Taques (PSDB). 

O social democrata garante que tomou essa atitude em virtude de seu projeto político para o pleito de outubro deste ano. Ele pretende ser candidato a senador. 

“Chega o momento de discutir um projeto para Mato Grosso. Recebi a missão do meu partido de pleitear uma candidatura ao senado, de construir essa candidatura e discutir um projeto para o Estado. Então, não é justo fazer isso estando no cargo, pois minha dedicação será total neste sentido. Não é justo fazer isso recebendo salário e estando na estrutura da vice-governadoria. O dinheiro público não pode ser gasto com isso”, justificou Fávaro. 

Sobre sua relação com Taques, o social democrata garante que continuará de amizade e respeitosa. “É tranquila, democrática, sem problema nenhum. Não é nenhum inimigo, por isso, dentro da democracia nós temos direito e vamos discutir Mato Grosso e as candidaturas a partir de agora”, disse. 

Nos bastidores, entretanto, a conversa é que a renúncia de Fávaro teria ligação com a postura do governador. Taques teria tentado interferir nas decisões partidárias do PSD por meio do ministro Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla. 

Na última segunda-feira (03), o vice-governador encaminhou um ofício ao gestor tucano comunicando que a legenda passaria a adotar uma postura de independência com relação ao governo, e ainda oficializou a entrega de cargos. 

Ao acionar Kassab, a tentativa do governador era manter o partido em sua base na eleição deste ano, uma vez que possui o apoio dos parlamentares da legenda. “Não fiquei sabendo de nada disso, o Kassab não me procurou”, desconversou Fávaro. 

Além disso, Fávaro estaria com receio de ficar impedido de disputar a eleição para senador. Isto porque, caso o governador se ausentar, quem passa a responder pelo Palácio Paiaguás é o vice-governador. 

Se isso acontecer neste período que antecede as eleições, ele fica impedido de concorrer ao cargo de senador no pleito deste ano, podendo apenas disputar a eleição para governador, conforme determina a legislação. 

“Isso são coisas menores, o mais importante e discutir Mato Grosso”, respondeu o vice-governador ao ser questionado se estaria com receio de ficar impedido. 

TAQUES – O governador Pedro Taques, por sua vez, afirmou ontem à imprensa que já esperava a saída de Fávaro do Governo. Para ele, isso não irá prejudicar a gestão, e nem o seu projeto político para o pleito de outubro deste ano. 

O tucano disse que respeita a decisão do vice-governador e o agradeceu pelo trabalho desempenhado nesses três anos de mandato, também como secretário de Meio Ambiente. 

“O vice-governador já havia me comunicado da sua decisão, porque quer se dedicar a sua candidatura ao senado. Isso é fato, temos que respeitar essa decisão. Isso é normal, outros vices que querem concorrer a outros cargos estão fazendo isso. Eu estou focado trabalhando pelo estado de Mato Grosso”, disse o chefe do Executivo Estadual. 

Sobre o fato de estar perdendo mais um aliado político, Taques minimizou. “Quero expressão o meu respeito ao Carlos Fávaro, mas ele quer procurar o caminho dele ao Senado e ele prefere estar fora para se dedicar a este projeto, o que eu e absolutamente legitimo. Todo mundo tem a liberdade de escolha do seu destino, cada um escolhe o seu destino e eu recomendo que tenhamos vários candidatos ao Governo Isso é muito bom para a democracia, para o debate”, disse o governador também fazendo referencia ao ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (DEM), o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde Otaviano Pivetta e ao ex-senador Jayme Campos, que são cotados para disputa ao Governo do Estado. 

Com a renúncia de Fávaro, quem substitui o governador é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM). 


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