Alta Floresta (MT), 14 de dezembro de 2017 - 22:05

Política

07/10/2017 05:26 Eduardo Gomes - Diário de Cuiabá

A banalização dos escândalos em Mato Grosso

Mato Grosso não tem mais o interesse de antes diante de notícia de nova operação policial, nem de delações premiadas e muito menos na troca de farpas entre autoridades ou ex-autoridades acusadas de improbidade administrativa ou outro crime qualquer. Com os fatos que brotam sem parar o ciclo dos escândalos perdeu lugar para a era da apatia, da indiferença social. 

Em setembro de 2015 quando o ex-governador Silval Barbosa se entregou à polícia, que o procurava a dois dias cumprindo ordem de prisão preventiva decretada pela juíza da Sétima Vara Criminal Selma Rosane de Arruda, Mato Grosso voltou seu olhar àquele fato, inédito, de um governador que acaba de deixar o cargo e vai parar numa cela. Silval permaneceu preso por 21 meses e somente ganhou liberdade – com medidas restritivas – após fazer delação premiada ao Ministério Público Federal (MPF), com homologação pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. 

Silval responde a várias ações por improbidade administrativa, admitiu que foi o chefe de uma organização criminosa que atuava na sombra em seu governo, recebendo propinas para concessão de incentivos fiscais, superfaturando obras e cometendo outros crimes. 

A prisão de Silval e de vários integrantes de seu secretariado ou ocupantes de cargos importantes no governo ganhou as manchetes. Os remanejamentos carcerários dos presos, a tentativa de sua defesa em botá-los em liberdade, o teor dos depoimentos dos ex-secretários Pedro Nadaf, José Nunes Cordeiro, Arnaldo Alves, Marcel de Cursi, Éder Moraes, Roseli Barbosa (mulher de Silval), Pedro Elias, Afonso Dalberto (Intermat), Chico Lima (ex-procurador do Estado), João Justino Paes Barros (ex-presidente da Metamat) e dos demais era assunto predominante nos meios jornalísticos, políticos e sindicais. 

Quando da prisão de um grupo de empresários e do secretário de Educação de Mato Grosso, Permínio Pinto - acusados de operadores de um esquema de superfaturamento nas obras de reforma e construção de escolas - o interesse pelas operações em curso prosseguiu. 

A revelação da Grampolândia pantaneira, que foi um esquema de escutas telefônicas clandestinas do qual teriam participado secretários de Estado e integrantes da Polícia Militar manteve o interesse mato-grossense nas investigações em curso. O desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, que cuida do caso, disse que mais de 70 mil gravações criminosas iniciadas no apagar das luzes do governo de Silval, em 2014, e que prosseguiu até a prática ser descoberta pelo então secretário de Segurança Pública, promotor Mauro Zaque. Esse fato, que por duas vezes resultou na prisão do ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques – primo do governador Pedro Taques – não deixou que o interesse coletivo apagasse. Também por suspeita de participação no mesmo esquema estão presos os ex-secretários coronel Airton Siqueira (Justiça e Direitos Humanos), coronel Evandro Lesco (Casa Mlitar) e o delegado Rogers Jarbas (Segurança Pública), além do ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa. 

Pesadas denúncias contra a Assembleia Legislativa e a prisão preventiva do seu vice-presidente Gilmar Fabris, decretada por Fux, em 15 de setembro, por acusação de obstrução de justiça feita pelo MPF, ganharam destaques. 

Não menos espaço perante a opinião pública teve a decretação do afastamento dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Waldir Teis, Antônio Joaquim, Sérgio Ricardo, Valter Albano e José Carlos Novelli. Todos foram afastados por Fux, com base na delação de Silval que os acusa de terem recebido R$ 53 milhões para aprovação de suas contas relativas às obras para a Copa do Mundo de 2014 e ao programa rodoviário MT Integrado. Os cinco estão proibidos de irem ao TCE e de conversarem com seus servidores. 

Em meio a esse fogaréu o governador Pedro Taques pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que o investigue, para evitar que paire alguma dúvida quanto ao seu desconhecimento sobre os fatos relativos ao esquema Grampolândia. Taques sustenta que não sabia das escutas, mas quer o episódio passado a limpo judicialmente. Esse posicionamento também ocupou grande espaço na cobertura jornalística. 

A sucessão de escândalo desembocou na banalização do noticiário a respeito e o assunto perdeu interesse. Sociólogos entendem que o cidadão brasileiro – apesar das recentes punições impostas a figurões – continua incrédulo sobre condenação de poderosos. Esse ingrediente, na avaliação de analistas políticos, pode salvar políticos envolvidos do julgamento popular. 

A Justiça tradicionalmente é lenta. Mais morosa ainda se torna diante do volume de ações criminais e cíveis movidas pelo Ministério Público Estadual e o MPF contra políticos, empresários ligados a obras públicas e servidores, em tribunais de acordo com a prerrogativa de foro do denunciado. 

O silêncio beneficia mais de uma dezena de deputados estaduais acusados por Silval de recebimento de mensalinho, e dentre eles, Baiano Filho e Fabris, que aparecem num vídeo discutindo suposto recebimento de tal propina com Sílvio Corrêa, então chefe de Gabinete de Silval; José Domingos Fraga, recebendo pacotes de dinheiro; Wagner Ramos, supostamente negociando propina com um filho do ex-governador; além deles são citados Romoaldo Júnior, Mauro Savi, Guilherme Malfu, Nininho, Oscar Bezerra, Dilmar Dal’Bosco, Sebastião Rezende, Silvano Amaral e outros. 

A indiferença popular também favorece aos prefeitos Emanuel Pinheiro (Cuiabá) e Luciane Bezerra (Juara) que aparecem em vídeos recebendo dinheiro de Sílvio Corrêa. O deputado federal Ezequiel Fonseca, à época deputado estadual também é personagem das gravações entre os que pegaram dinheiro com o ex-chefe de Gabinete, e, claro, vê o silêncio como aliado estratégico. 

Esse comportamento social é benéfico também para os congressistas citados em delação por Silval: deputados federais Ezequiel Fonseca, Carlos Bezerra e Fábio Garcia; o senador Cidinho Santos e o senador licenciado e ministro da Agricultura Blairo Maggi. 

O benefício também chega a Carlos Fávaro e Neri Geler; Fávaro é vice-governador e secretário de Meio Ambiente, e Neri é secretário Nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. Os dois, segundo Silval, teriam montado uma engenharia financeira para pagamento de dívidas de campanha. 

Ex-deputados estaduais que mesmo sem mandato não se afastaram dos meios políticos também lucram com o silêncio, a exemplo de Airton Português, Antônio Azambuja, Hermínio Barreto, Alexandre Cesar, Luiz Marinho, Riva, Ademir Brunetto, Juarez Costa e outros citados por Silval em algum tipo de relação atípica com o governo. 

À exceção dos delatores e de Riva, ainda sem delação homologada judicialmente, os demais citados, filmados e gravados negam envolvimento com os esquemas delatados. 

A apatia coletiva e a morosidade da tramitação judicial formam o par perfeito para dar sobrevida política e manter no poder figuras que o Ministério Público gostaria que fossem afastadas da vida pública e do convívio social por um longo período de ressocialização. 


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