Alta Floresta (MT), 21 de outubro de 2017 - 09:54

Política

21/07/2017 05:01 Celly Silva - Gazeta Digital

Silval revela que propina de desapropriação pagou dívida com Piran

Ex-governador Silval Barbosa (PMDB) presta novo depoimento a tarde de ontem quinta-feira (20) à juíza Selma Rosane Santos Arruda, na 7ª Vara Criminal. Ele promete confessar sua participação e de seus ex-secretários de Estado e comparsas no desvio de R$ 15 milhões realizado em 2014, na desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá que custou ao Estado a quantia de R$ 31,8 milhões ao passo que o imóvel estava avaliado em R$ 17,8 milhões. 

O caso é decorrente da 4ª fase da operação Sodoma deflagrada em 26 de setembro de 2016, pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e contra a Administração Pública (Defaz), que apurou que o crime teria ocorrido em conluio com o dono da empresa Santoni Empreendimentos Imobiliários Ltda, Antônio Rodrigues Carvalho, que também vai prestar depoimento nesta quinta-feira. ele teria concordado em devolver aos membros da organização criminosa 50% do valor que recebeu a título de desapropriação do terreno. 

O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia contra 17 pessoas, mas na ação penal desta audiência, só constam nomes de 12 réus que são processados pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, coação no curso do processo, organização criminosa e receptação qualificada.

Chico Ferreira

No rol dos ex-secretários de Estado denunciados estão: Pedro Nadaf (Casa Civil), Marcel de Cursi (Sefaz) e Arnaldo Alves de Souza (Planejamento). A lista se completa com o ex-chefe de gabinete, Silvio Cézar Corrêa Araújo, o procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Lima Andrade Lima Filho (Chico Lima), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), Levi Machado de Oliveira (advogado), João Justino Paes de Barros (funcionário público) e os empresários Alan Malouf e Valdir Agostinho Piran e Antônio Rodrigues Carvalho (antigo proprietário do imóvel).

A expectativa é que Silval Barbosa novamente impute ao ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf a coordenação do esquema, como fez em seu depoimento aos delegados e promotores que atuam no caso, após mudar de estratégia e passar a confessar crimes para poder deixar a cadeia. Na quarta-feira (19), ele já atribuiu a Nadaf a responsabilidade pelo desvio de R$ 3,5 milhões na desapropriação de uma área rural no Manso, também ocorrido em 2014, último ano de sua gestão.

Acompanhe os principais momentos da audiência

17h07 - Encerrada a oitiva de Silval Barbosa.


17h03 - Silval nega ter tido qualquer encontro com Filinto Muller. "Eu não sabia que existia Filinto Muller no meio dessa transação. Até quando se pagava o Valdir Piran, eu achei que o Pedro tinha encontrado uma forma direta de pagar o senhor Valdir Piran".

17h - O advogado Hélio Nishiyama, que faz a defesa de Valdir Piran, pergunta a Silval baseado em que ele disse ao MPE que Piran deveria saber da origem ilícita do dinheiro. Silval explica que ele deveria saber que "não era coisa lícita pelo fato de estar rececebdo de uma factoring". "Eu imagino que ele deve saber, eu falei: ele sabia!". 

16h56 - Silval se recusa a dar detalhes sobre sua dívida com Valdir Piran e sobre as pessoas de seu grupo político que foram beneficiadas por conta de haver um inquérito em relação a isso. Só afirma que a dívida foi contraída e paga. Ele também nega que esteja fazendo tratativas de delação premiada.

16h53 - Perguntado pelo advogado Saulo Gahyva de quem partiu a ideia da fraude, Silval explica que Pedro Nadaf lhe falou da possibilidade. "Começou aí". Com relação à quem fez a identificação dessa "oportunidade", Silval disse que foi Pedro Nadaf e Chico Lima.

16h47 - Em relação às ameaças atribuídas a Sílvio Corrêa, Silva diz duvidar da capacidade de seu ex-chefe de gabinete para fazer isso porque, segundo ele, "o Sílvio é muito humano" e também estaria em estágio avançado de depressão dentro da cadeia.

16h44 - Silval Barbosa nega ter conhecimento sobre esquemas paralelos de Alan Malouf com Pedro Nadaf e Arnaldo Alves e também de compra de ouro por parte de João Justino Paes de Barros para Marcel de Cursi e Pedro Nadaf, mas diz que estranhou o valor do deságio alegado por João Justino. "Eu conheço garimpeiro, garimpeiro é independente, cooperativa não compra ouro de garimpeiro. Não é a Metamat que regula o preço do ouro, é preço de mercado. Não existe ouro com deságio de 30% na região, se comprar, é falso".

16h41 - Em relação à festa de posse organizada pelo Buffet Leila Malouf, Silval Barbosa diz que era uma dívida de governo, que houve licitação para pagar uma festa para mil pessoas, mas que teriam ido mais 4 mil. Por conta disso, a dívida de R$ 1 milhão seria por esse excedente, o que não teria como pagar por forma de aditivo contratual, por isso foi pago com dinheiro ilícito retirado de esquemas no próprio governo. Ele acredita que o valor foi integralmente pago porque não chegou a ser cobrado por Alan Malouf.

16h35 - A promotora pergunta sobre o episódio em que Valdir Piran teria, segundo Pedro Nadaf, tentado agredir Silval Barbosa no gabinete da Casa Civil. “O seu Valdir chegou alterado, acho que por causa de remédio, mas não houve agressão. Eu trato isso como equívoco ou sensacionalismo, o que aconteceu foi uma cobrança, ele estava nervoso e querendo receber. Acho que ele foi tentar sentar e a cadeira caiu, mas não houve agressão. Verbal teve a discussão. Diante disso eu falei que naquelas condições eu não ia conversar com ele e saí. Fui pro meu gabinete e saí da Casa Civil", relatou. Conforme o ex-governador, estavam presentes na ocasião, ele, Pedro Nadaf, Valdir Piran e o filho deste, Valdir Piran Júnior.

16h32 - “O Chico que conduziu no comando do Nadaf”, diz Silval ao apontar atuação de seu ex-procurador de Estado no esquema de desapropriação. O ex-governador também afirma que sua dívida com Valdir Piran eram remanescentes de sua campanha eleitoral e que sempre que as parcelas da dívida eram pagas, Pedro Nadaf lhe entregava as notas promissórias. 

16h25 - Promotora Ana Cristina Bardusco pergunta da atuação de Sílvio Corrêa e Silval responde que apenas no despacho do processo. “Foi só nessa vez”, disse se referindo a um ofício despachado em relação à autorização do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Condes) para que a Procuradoria Geral do Estado procedesse a desapropriação.

16h16 - Silval barbosa diz que soube pela ação penal que Pedro Nadaf ficou com R$ 500 mil e que o combinado era cada um dos envolvidos ficar com R$ 600 mil. "eu conheço que eu autorizei que o Pedro pudesse fazer acorco com o Levi em relação aos R$ 10 milhões. O restante ele pudesse fazer acordo".

“Eu não falei pra eles o quanto ia voltar, eu sabia que ia voltar R$ 10 milhões e depois o Pedro ia fazer a divisão”, disse Silval se referindo a Pedro Nadaf, Chico Lima e Afonso Dalberto. Ele não tem certeza se Arnaldo Alves (ex-secretário de Panejamento) e Marcel de cursi (ex-secretário de Fazenda) receberam parte do desvio.

16h15 - Em relação à dívida com Alan Malouf, Silval explica que era referente à sua festa de posse, que foi dada para 1 mil pessoas e que foi contratada pelo então secretário de Estado Eder Moraes. O valor da festa teria sido de R$ 1 milhão. "Todo R$ 1 milhão foi pago com dinheiro não contabilizado no governo".

16h12 - Com relação a dívida com Antônio Carlos Milas, Silval fala que era uma dívida de R$ 800 mil surgida mediante pressão do dono de jornal. "Era dívida que ele alegava pra não estar denunciando sobre as coisas erradas que aconteciam no governo", disse.

16h08 - O ex-governador também diz que ninguém era coagido a participar do esquema, que caso a pessoa não tivesse interesse em entrar nas ilicitudes, não tinha problema. A juíza então cita Antônio rodrigues, que disse ter se sentido coagido por Marcel de Cursi a aceitar a fraude de R$ 15 milhões, caso não quisesse receber em precatórios. Silval diz que não deu orientação a Marcel para tratar o assunto dessa forma, que a negociação dele com o ex-proprietário da área não era do conhecimento dele. 

O ex-governador afirma que nuna tratou com o ex-secretário adjunto José de Jesus Nunes Cordeiro. Segundo ele, nunca houve conversas com secretários adjuntos, apenas com secretários titulares, com exceção de Valdísio Viriato, que atuou na Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana, conforme ele depôs na segunda-feira (17). 

16h03 - O ex-governador nega ter chamado o ex-presidente do Intermat Afonso Dalberto de "cagão". ele nega ter o costume de usar esse tipo de vocabulário e também negou ter feito intimidações a Pedro Nadaf dentro da cadeia. Ele afirma que apenas perguntou a Nadaf se ele tinha interesse em fazer delação premiada e se sim, que conversasse com ele para que ambos pudesse, talvez, viabilizar aquilo juntos. 

16h01 - Silval revela que R$ 200 mil também foram direcionados para o jornalista Antônio Carlos Milas, dono do jornal Centro Oeste Popular, que havia descoberto esquema e estava extorquindo Pedro Nadaf para não publicar o caso em seu veículo de comunicação.

O ex-governador isenta seu ex-chefe de gabinete de participação na corrupção, segundo Silval, Sílvio Corrêa não tinha conhecimento da fraude. 

15h52 – Silval relata que Pedro Nadaf lhe disse que era possível obter uma vantagem indevida maior do que os R$ 10 milhões que ele precisava para pagar Valdir Piran. “Eu autorizei de fato que eles pudessem fazer, e foi feito todos os encaminhamentos”.

Ele também nega que tivesse conhecido Antônio Carvalho ou Filinto Muller, na época dos fatos. O ex-governador também diz que só soube o quanto foi para cada um dos envolvidos após o processo. Ele confirma que R$ 200 mil foram direcionados para o empresário Alan Malouf, dono do buffet Leila Malouf, credor do ex-governador. "O Pedro sabia das minhas dívidas porque eu sempr falava pra ele". 

15h44 – O ex-governador Silval Barbosa inicia seu depoimento dizendo que vai confessar toda a sua participação na desapropriação do bairro Jardim Liberdade “Ela veio numa discussão também com o chefe da Casa Civil Pedro Nadaf. Ele tinha conhecimento de quase tudo, essa desapropriação foi feita para saldar uma dívida com o senhor Valdir Piran, como tinha essa dívida dentro dos processos, era possível atingir esse valor ou parte do que tinha dívida, numa conversa com ele [Pedro Nadaf], ele disse que o Chico Lima falou que o processo já estava pronto pra pagar”, afirmou à juíza Selma Arruda.

15h38 - Após uma pausa de 15 minutos, a audiência é retomada para dar início ao interrogatório do ex-governador. Ele já está posicionado na frente da juíza Selma Arruda. Acompanhe ao vivo pela Live transmitida no Facebook do Gazeta Digital.

               


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