Alta Floresta (MT), 21 de agosto de 2017 - 06:47

Ezgif.com optimize  5

Polícia

10/01/2017 10:08

Relatório aponta tensão e 5 facções em Mato Grosso

Levantamento do setor de Inteligência do Governo Federal aponta que o Sistema Penitenciário de Mato Grosso está entre os cinco do país classificados como em “situação tensa”, que é quando existe a possibilidade de haver conflitos violentos dentro dos presídios.

Em situação pior só estão Amazonas e Roraima, onde os conflitos já foram deflagrados.

Os dados da inteligência afirmam ainda que, além do Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), existem mais três facções criminosas atuantes em Mato Grosso, informação que é negada pelas instituições de segurança pública local.

Badboys, Baixada Cuiabana e Comando Verde seriam os outros três grupos criminosos fixados no Estado.
Segundo o chefe do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil, delegado Flávio Stringueta, essas três últimas facções realmente tentaram se instalar em Mato Grosso, porém, por falta de organização interna não se mantiveram.

“Até mesmo os criminosos têm que se manter organizados caso queiram formar uma facção. Das organizações mencionadas, só chegou ao nosso conhecimento informações sobre o Comando Verde. Mas, que após um curto período de tempo se deteriorou sozinho, por não conseguir agregar novos integrantes”.

Segundo Stringueta, na história do sistema carcerário mato-grossense as únicas facções criminosas que de fato se instalaram e permanecem atuantes é o PCC e o CV. Esta última foi criada em 1979, no Rio de Janeiro, formada inicialmente por um conjunto de presos comuns e presos políticos, militantes de grupos armados.

Em Mato Grosso, Stringueta afirma que o CV ficou oficialmente conhecido em 2013, quando o GCCO iniciou uma investigação para descobrir quais seriam seus integrantes. Entretanto, muito antes já haviam membros inseridos no sistema prisional.

“Em abril de 2014, em parceria com outras instituições que compõem a segurança pública do Estado, deflagramos a operação Grená, que tinha como alvo os componentes do CV em Mato Grosso. Entre estes estava Sandro da Silva Rabelo, conhecido também por 'Sandro Louco', que seria o fundador da facção no Estado”, explica o delegado que acrescenta que na época acreditava-se que cerca de 150 detentos teriam se afiliado à facção e estariam recrutando mais integrantes. Eles comandavam diversos tipos de crimes do lado de dentro e de fora dos presídios.

Ainda conforme ele, o último levantamento apontava que esse número aumentou para 500 afiliados e mais 500 presos que apesar de trabalharem para o grupo, não se consideram membros.

Após “Sandro Louco” ser transferido de Mato Grosso, outros líderes já passaram pelo posto de chefe do CV em Mato Grosso. Atualmente, quem estaria chefiando a facção no estado seria Paulo Cézar da Silva, conhecido como “Petróleo”, que anteriormente fazia parte do Conselho Final do CV, aquele que decide quem deve morrer dentro e fora dos presídios.

Entretanto, outros membros considerados do “alto escalão” da organização criminosa também estariam atuando fortemente no sistema carcerário.

“Renildo Silva Rios, conhecido por Nego ou Negão, que também chegou a ser transferido, mas voltou para Mato Grosso, continua sendo considerado um dos líderes aqui. Também podemos citar o Renato Sigarini, conhecido como Vermelhão, mas este foi transferido juntamente com outros sete para unidades penitenciárias de outros estados”, pontua Stringueta.

Em se tratando do PCC, o chefe do GCCO diz que o número de integrantes é bem menor, assim como a atuação da facção no Estado.

“Acreditamos que não passe de 150 membros, além do detalhe de não haver líderes locais, como acontece no CV. As ordens para os integrantes do PCC sempre partem de São Paulo, cidade onde a facção foi fundada, diferente do CV que atua como se fosse uma filial”.

Questionado sobre a existência de pelo menos cinco facções atuantes no Estado, o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários (Sindspen), João Batista, também se mostrou surpreso e disse desconhecer as organizações criminosas que não sejam o CV e o PCC.

“Em 2015, quando um traficante famoso do bairro Pedregal, conhecido como Maninho foi morto, houve muitos burburinhos a cerca da existência de uma facção chamada Amigos dos Amigos (ADA), que seria aliada ao PCC. Porém, logo que a poeira baixou, não se ouviu mais nada a respeito”.

Batista diz que dentro dos presídios, além das facções, existem pequenos grupos formados por criminosos que possuem objetivos em comum e, às vezes, se intitulam como organizações criminosas.

“Mas essas uniões nunca duram muito tempo, pois eles mesmo se desentendem e se separam”.

Choque

Secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas afirmou em entrevista, nesta segunda-feira (9), que o setor de choque de Mato Grosso está de prontidão para invadir qualquer unidade prisional do Estado caso ocorra “guerra” entre facões, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) ou outras locais, a exemplo do que aconteceu, semana passada, em Manaus (AM), onde morreram, no embate, 56 presos, e em Boa Vista (RR), outros 33.

O secretário ressaltou que o único pedido feito por Mato Grosso ao Ministério da Justiça foi para encaminhar escudos, capacetes, elementos químicos, bombas de efeito moral, entre outros equipamentos, usados em uma situação de rebelião.

O secretário lembrou que o crime organizado deu sinais de força no Estado em 2015 quando ordenou uma série de atentados em junho. O “salve” partiu da Penitenciária Central do Estado (PCE) para queima de seis ônibus.

Agentes

Presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen-MT), João Batista chama de “embuste”, ou seja, mentira, o plano do Governo do Estado para coibir possí vel massacre de presos, especialmente na PCE.

“O Estado não cumpriu acordos feitos com os agentes prisionais ano passado, que poderiam ter melhorado de fato a segurança nas unidades prisionais de Mato Grosso e agora diz que está agindo”, critica o sindicalista. “Não aceitou a jornada voluntá- ria, não fez o bloqueio de celulares nos presídios e não comprou coletes à prova de balas para nós”, reclama.

Imediatismos

O sociólogo Naldson Ramos, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pesquisador do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania, vê o barril de pólvora no sistema prisional, que agora eclodiu, como um problema crônico no país e realça que os governos são “imediatistas” para lidar com este setor.

“Nunca fazem planejamento, reconhecem que erraram e chegam com medidas paliativas”, critica.

Uma das medidas paliativas que ele cita são os mutirões de soltura que estão sendo promovidos em vários pontos do país, inclusive em Mato Grosso, mediante a convulsão do sistema prisional, já que a superlotação carcerária é uma realidade de Norte a Sul e amenizando isso, em tese, reduziria a tensão.

Em Mato Grosso, o deficit é de 4.662 vagas. São 6.638 para 11.300 detentos.


Novo whats 190Doe313ok

Notícia Exata

Endereço: Rua A-4, nº 412 - Setor A - Centro
Alta Floresta - Mato Grosso
Fone: (66) 9912-8992 ou (66) 8436-0806
Cep.: 78580-000
contato@noticiaexata.com.br

Redes Sociais

Cotação
Dólar 3,1459
Euro 3,7026
18/08 16:10

Notícia Exata © 2010 - Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução de matérias sem ser citada a fonte.

Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo