Alta Floresta (MT), 21 de março de 2019 - 08:43

Educação

25/02/2019 05:08 Vinícius Lemos - RD News

MT tem 56 salas de aula em contêineres e Seduc afirma que itens são seguros

Em Mato Grosso, dezenas de salas de aula da rede estadual funcionam em estruturas de contêineres ou semelhantes ao material. O fato tornou-se alvo de preocupação de alguns pais, após o incêndio em um alojamento com estrutura parecida, no centro treinamento do Flamengo, no qual 10 jovens jogadores morreram. No Estado, a secretaria de Educação (Seduc) garante que os contêineres não apresentam riscos aos estudantes.

O incêndio na estrutura do Flamengo, no Rio de Janeiro, aconteceu há duas semanas. Uma perícia no local, dias depois da tragédia, apontou que a espuma do contêiner não propaga o fogo. Conforme o jornal O Globo, a apuração do caso apontou que a chama consumiu rapidamente o alojamento porque o cômodo era muito pequeno e havia muitos colchões.

A tragédia no clube carioca reacendeu debates sobre os cuidados com os contêineres utilizados em diversas áreas, como no setor da Educação – vários estados brasileiros utilizam o material como sala de aula temporária.

Nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, diversas pessoas compartilharam o vídeo de uma mulher reclamando sobre os contêineres adotados como salas na Escola Estadual José Pedro Gonçalves Filho, na comunidade Juquara, zona rural de Rosário Oeste (a 104 km de Cuiabá). “Tivemos esse acidente na escola do Flamengo e olha o que o governo de Mato Grosso fez. São contêineres para as crianças estudarem. Cuiabá é uma das cidades mais quentes do Brasil. Como que crianças estudam nesses contêineres sem uma ventilação?", diz a mulher - assista vídeo.

Seduc afirma que não há irregularidades

Por meio de nota, a Seduc nega que as salas em contêineres tragam qualquer risco aos estudantes. A secretaria informou que há 56 salas temporárias em 10 municípios. "São utilizadas pela facilidade e rapidez na conclusão, comparada ao tempo de execução de uma obra civil de alvenaria".

Entre as estruturas temporárias estão salas metálicas, feitas com material isotérmico, e os contêineres. Neste, segundo a pasta, são adicionados forros isotérmicos e revestimentos em PVC. 

De acordo com a Seduc, os itens são utilizados temporariamente em unidades que estejam passando por obras. A secretaria ressaltou que recorre a tais alternativas porque "podem ser desmontadas e instaladas novamente em outra unidade escolar, caso haja necessidade".

A secretaria afirmou que leva em consideração medidas de segurança necessárias ao montar as estruturas temporárias. "Todas as saídas das salas são direcionadas para o ambiente externo, ou seja, não tem obstáculos que atrapalhem”.

Ainda no comunicado, a Seduc declarou que “todas as unidades escolares recebem, duas vezes por ano, verba complementar para manutenção de infraestrutura física – pequenos reparos –, como, por exemplo, a manutenção dos condicionadores de ar”, acrescentou a pasta.

A pasta, no entanto, não comentou especificamente sobre a unidade de ensino da comunidade rural de Rosário Oeste.

A reportagem entrou em contato com pessoas ligadas à escola José Pedro Gonçalves Filho. Elas informaram que as aulas na unidade de ensino ainda não começaram e explicaram que os contêineres deverão receber estrutura elétrica para a instalação de aparelhos de ar-condicionado, antes do início do ano letivo do local.

As estruturas de contêineres

A engenheira civil Brenda Duarte fez um estudo sobre edificações populares com contêineres em sua conclusão de curso. Ela contou que se instalados de modo correto, eles podem ser mais seguros que construções de alvenaria.

"Os contêineres podem ser menos arriscados porque possuem uma fundação rasa, simples e produz menos resíduos. Em caso de chuvas e raios, eles possuem um campo elétrico nulo, como carros e aviões. De modo geral, é mais fácil uma construção de alvenaria ser atingida por um raio do que contêineres", disse.

"Por ser um material com mobilidade mais dinâmica, há menos riscos. Infelizmente, acidentes sempre podem acontecer. É importante minimizar a possibilidade deles, com mais prudência e comprometimento com o projeto", acrescentou.

Brenda ressaltou que é fundamental que sejam adotados cuidados básicos nos contêineres. “Há riscos maiores de acidente quando há economia no planejamento ou quando há falha no controle e vistoria e manutenção da edificação”, disse.

“Para edificações em geral, por modo de precaução, é recomendável  realizar vistoria e laudo técnico anual e manutenção, sobre as partes internas e externas. Desta forma, poderíamos evitar muitos acidentes, tanto de incêndios, chuvas e desabamentos em geral, prevenir a edificação e garantir que ela terá uma maior vida útil”, concluiu.


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