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Educação

Gestão Escolar 26/01/2018 15:09 enem.estuda.com

Gestão Escolar Colaborativa: autonomia pela participação

A maneira como gerir o ambiente escolar fomenta discussões, pois retrata espaços com realidades distantes das desejáveis. A gestão escolar colaborativa parte do pressuposto de que vários setores (família, alunos e profissionais da Educação) se unam para a formação de cidadãos. A seguir, dicas de como se realiza.

Um sistema colaborativo, ao contrário do que parece, é extremamente vantajoso para revelar a capacidade de autonomia de todos que compõe a unidade escolar. Isso porque, quando as decisões são feitas de maneira participativa, as pessoas começam a ganhar mais confiança no processo educativo.

A confiança da equipe e sua autonomia, “a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios”, segundo José Carlos Libâneo, despertam motivação e a tendência é que, assim, as ideias a favor do aprendizado dos alunos fiquem mais inovadoras. Isso porque é dado a cada um (professores, pais e alunos) uma responsabilidade importante: serem agentes participativos, de fato, no desenvolvimento da escola.

Neste artigo, vamos falar sobre algumas maneiras de aproximar esse conceito de gestão escolar, aparentemente distante, e as possibilidades para o inserir como parte da realidade de sua escola.

1. Entendendo a participação.

O conceito de horizontalidade é extremamente válido para se entender uma ideia de gestão colaborativa. Já que essa atende à maneira como, teoricamente, o tipo de gestão deve ser visualizada, isto é: com todos os atores dispostos equiparadamente, pelo palco da educação. O modelo verticalizado por meios institucionais retrógrados devem ser repensados, já que não atendem às diversas demandas atuais da educação.

Segundo a professora de gestão escolar do curso de pedagogia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Sandra Aparecida Riscal, “a pior coisa que pode acontecer na escola é o diretor impor um modelo de gestão, porque vai colocar a escola numa camisa de força”, afirmou ao Jornal on-line do “Portal do Professor”, site do MEC. Infelizmente, segundo a doutora, que também é gestora do programa de pós-graduação em política e gestão da UFSCar, os gestores escolares descobrem aos poucos que a composição da escola do século XXI é uma responsabilidade de todos e, portanto, deve abranger todos os envolvidos na comunidade escolar.

Neste sentido, a gestão escolar colaborativa deve motivar a participação de todos que trabalham na escola, procurando igualdade para um ambiente de desenvolvimento conjunto, que vença os limites dos interesses individuais. Assim, todos os envolvidos, além de participativos, também serão supervisores e responsáveis para a realização dos objetivos sociais e políticos da escola.

Entendendo e aplicando esta perspectiva, as decisões não são mais unilaterais, mas sim resultantes diálogos democráticos, nos quais todos da escola, desde os colaboradores da repartição financeira, até os do setor de RH, devem estar organizados para somar com as suas ideias, necessidades e visões sobre e para o bem da instituição. Uma boa ferramenta para isso é a criação de comitês periódicos nas diferentes áreas que estruturam a escola.

2. Exemplo de inclusão.

Hoje, o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja), em São Paulo, é um exemplo de educação inclusiva. Nem sempre foi assim, mas agora a instituição de ensino é reconhecida nacionalmente por estimular a participação geral no desenvolvimento e posicionamento da escola. A professora à frente da gestão há mais de 18 anos, Êda Luiz, contou ao especial “A democracia nasce na escola”, do site Todos Pela Educação, que logo quando entrou na direção quis saber o que os alunos esperavam do espaço da escola. “O pedido deles foi que não houvesse carteiras enfileiradas, por isso o meu mobiliário é todo em mesas redondas dispostas pela sala, porque eles queriam enxergar uns aos outros”.

A intenção pedagógica da escola é que as proposições venham dos alunos e, por isso, possibilidades são pautadas e debatidas por meio de votações e bate-papo em assembleias e reuniões. Além disso, a escola também fomenta, a cada seis meses, um projeto que visa intervir de forma positiva no meio onde os alunos vivem, ou seja, na cidade, mais especificamente no Campo Limpo, região da zona sul onde a escola fica localizada em São Paulo. “Em um ano, fizemos o plantio de árvores na Estrada de Itapecerica. A ideia veio por meio de uma pesquisa realizada pelos estudantes no centro da cidade, na qual chegaram à conclusão de que nas regiões centrais tudo é mais arborizado e, aqui no Capão Redondo, não tínhamos tantas árvores”. Disse a professora ao mesmo portal.

3. Como fazer para a gestão colaborativa sair da teoria e funcionar na prática?

Gerir de forma colaborativa é uma questão de mudança de hábitos. Estamos acostumados com sistemas hierárquicos, ou seja, faz parte do senso comum a ideia de que todo sistema só será efetivo se tiver uma autoridade que o direcione. Por isso, há algumas pessoas que acreditam que gestões colaborativas não passam de um ideal inalcançável. Na verdade, apesar de haver contextos em que o sistema hierárquico possa mostrar sua eficiência, é preciso abrir a mente para maneiras mais alternativas de visualizar um sistema. Apenas desta forma é que a gestão escolar colaborativa pode se tornar possível.

Depois disso, é preciso entender que todos devem fazer parte da trajetória escolar: pais, alunos, professores e colaboradores e funcionários.

O interessante é que a escola se demonstre aberta para novas sugestões. Reuniões entre pais e professores, professores e gestor, gestor, pais e professores, assembleias, rodas de conversa com os alunos, enfim, tudo aquilo que mostre abertura para diálogos pode desencadear uma série de sugestões e diferentes pontos de vista acerca do andamento da escola. Desta forma, o gestor pode visualizar os problemas com mais amplitude.

3.1. Gestão colaborativa com os pais ou responsáveis

O ideal é fomentar e enfatizar a participação dos pais ou responsáveis. No caso da não participação, é importante demonstrar empenho na hora de agendar horários alternativos, para que todos os responsáveis possam, de alguma maneira, comunicar-se com a escola, estarem cientes do que acontece e até mesmo participarem das decisões. O que também pode ajudar muito é diversificar os canais com que esse contato possa ser feito: e-mail, fóruns on-line, etc. Neste sentido, as novas tecnologias podem ajudar. 

3.2. Gestão colaborativa com os alunos

Os alunos já estão acostumados a quase ficarem de fora das decisões da escola. A gestão colaborativa pode mudar esses costumes, o que faz com que a rotina escolar fique até mais interessante. Incentivar a organização, por parte dos alunos, de eventos, palestras e rodas de conversas temáticas como parte do desenvolvimento autônomo, são algumas das opções que ajudam a incluir o corpo discente como parte da trajetória política da escola.

3.3.Gestão colaborativa com os professores

Os professores têm pontos de vista importantíssimos para o desenvolvimento interno da escola. Isso acontece porque eles estão em constante convivência com os alunos, e, portanto, entendem mais sobre as necessidades de cada um. Por isso, dar voz aos professores é essencial para as decisões do gestor. Uma dica é marcar reuniões frequentes que incitem diálogos entre eles, para que o corpo da escola fique cada vez mais unificado. 

4. Um experimento com a Gestão Escolar Colaborativa

Em 2008, foi realizado em São Paulo uma discussão entre diversas pessoas que analisavam o sistema educacional em escolas da Zona Leste da cidade. Essas pessoas, diretores e coordenadores pedagógicos de escolas públicas, pesquisadores, lideranças e representantes de organizações da sociedade civil e de órgãos públicos estaduais e municipais, decidiram aplicar o sistema de Gestão Escolar Colaborativa, numa tentativa de solucionar diversos problemas relacionados à vulnerabilidade em que essas escolas se encontravam.

Algumas medidas foram adotadas para que o novo sistema funcionasse. Dentre elas, foram destaque as diversas providências em relação às reuniões entre os integrantes das escolas (professores, coordenadores e diretor(es)), viabilizando, assim, discussões constantes a respeito de temas escolares como “relação família-escola”, “alfabetização”, “medidas socioeducativas”,  “matrículas”, “violência dentro e fora da escola”, “alocação” e “absenteísmo de docentes”. Dessa forma, a interação entre os servidores era frequentemente estimulada, facilitando diálogos mais construtivos.

A experiência, intitulada “Construindo a gestão escolar colaborativa: a experiência de um grupo de gestores", revelou alguns resultados positivos observados nas escolas que aderiram à nova metodologia. Um deles foi que não houve anulação das especificidades de cada servidor (SANTOS, MELO e GUSMÃO, 2015, pg.124), além de que “uma forte demanda por formação continuada das equipes gestoras vem emergindo no grupo” (2015, pg.123), o que revela a carga de estímulos que uma gestão colaborativa pode representar.

Os pontos mais sensíveis estavam relacionados à falta de experiência que os servidores tinham com o sistema usado, o que revela inclusive o motivo pelo qual muitos mostraram interesse por mais capacitação, assim como a escassez de serviços públicos oferecidos, que limitavam maiores expectativas sobre essa metodologia.

Conclusão

A escola pode ser vista como um corpo cheio de membros atentos às distintas seções do seu espaço. Todos esses membros devem ser devidamente considerados como elaboradores de uma visão ampla sobre os problemas e inovações que precisam. O gestor deve ouvir os pais, professores e alunos a fim de saber selecionar, como líder, as necessidades mais importantes, dessa forma o desempenho escolar tende a ser mais inclusivo e, por consequência, mais eficiente.

Além de tudo, é importante pensar que os conhecimentos adquiridos com os desafios de uma gestão colaborativa, como o fomento da contínua capacitação dos servidores, são essenciais para que essa forma de gerir se desenvolva. Sempre levando em conta que a metodologia, assim como outras, exige tempo para começar a desabrochar em resultados, uma vez que se trata de uma gestão diferente das convencionais.


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