Alta Floresta (MT), 16 de agosto de 2017 - 14:14

Economia

10/08/2017 10:50 Karina Arruda - Gazeta Digital

Mato Grosso cria 8 mil novas vagas de trabalho em julho

Mato Grosso apresentou mais um saldo positivo na geração de empregos este ano. Em julho foram criados 8,085 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, diferença entre as 34,374 mil contratações e 26,289 mil demissões. O saldo é 39,9% superior ao do mês anterior, que teve saldo de 5,779 mil vagas celetistas. Em relação a julho de 2016, quando o saldo foi de 2,016 mil postos de trabalho, o avanço é 301%. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quarta-feira (9).

O Brasil teve crescimento do número de empregos pelo 4º mês consecutivo, com a abertura de 35,9 mil novas vagas formais, resultantes de 1,167 milhão de admissões e 1,131 milhão de desligamentos. Mato Grosso apresentou o 2º maior saldo de empregos do país em julho (8,085 mil) ficando atrás somente do estado de São Paulo, que criou 21,805 mil novas vagas no mesmo período.

Na opinião do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, os dados mostram que a economia brasileira está dando sinais gerais de recuperação. Além disso, ele prevê que a partir da entrada em vigor da modernização da legislação trabalhista, o país deve abrir mais postos de trabalho. “Com as novas modalidades de contratos e a segurança jurídica, a previsão é de que nos próximos 2 anos sejam criados 2 milhões de empregos no país”, disse durante a divulgação do balanço de empregos.

Em Mato Grosso, a criação de postos de trabalho foi puxada, principalmente, pelos setores do agronegócio e da indústria. Esta última gerou 2,298 mil empregos diretos com carteira assinada, com destaque para os subsetores de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, que abriram 1,264 mil vagas, e a indústria têxtil, que foi responsável pela criação de 724 postos de trabalho no Estado.

A abertura de vagas na indústria alimentícia foi impactada, certamente, pela reativação de duas plantas frigoríficas no Estado, a unidade da Marfrig de Nova Xavantina, que já demandou o preenchimento de cerca de 400 vagas, com possibilidade de aumentar para até 900 futuramente; e da Minerva em Mirassol D’Oeste, que tinha previsão de contratar 720 funcionários.

Paulo Bellincanta, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo/MT) pontua que o resultado é uma oscilação positiva do setor, impactado pela crise da pecuária, mas que não é necessariamente motivo de comemoração. “Já existia uma ociosidade nos frigoríficos do Estado. Com a reabertura de outras unidades há uma interrogação se esta ociosidade não será maior”, avalia.

Agronegócio puxa resultado positivo

Além da indústria, merecem destaque na geração de empregos o agronegócio, que gerou a maior quantidade das vagas (3,211 mil), o setor de Comércio e Serviços que gerou 1,831 mil e a Construção Civil, que gerou saldo positivo mais uma vez, com a criação de 893 vagas. O agronegócio foi fomentado pela colheita das lavouras de milho, algodão e feijão, segundo Nelson Piccoli, diretor da Aprosoja. “Finalizamos a colheita do milho, mas o número positivo é resultado também de outras culturas, como feijão e algodão. Agora iniciam as contratações para a soja, cujo plantio começa em setembro”.

Comércio e Serviços tiveram resultado melhor que junho, quando foram abertas 1,726 mil vagas. O vice-presidente da Fecomércio/MT, Roberto Peron, destaca que o setor começa a recontratar porque o mercado começou a dar sinais de recuperação. “O empresário está mais otimista. A taxa de juros está caindo. Só falta o equilíbrio da máquina pública, para não gerar mais aumentos de carga tributária”.

O setor da Construção Civil, mais uma vez, teve resultado positivo indicando leve recuperação do segmento, que já vislumbra um futuro melhor, segundo o presidente do Sinduscon/MT, Júlio Flávio de Miranda. “O setor tem sentido a melhora, com a retomada dos investimentos em obras públicas e privadas e vem fazendo novas contratações. A gente sente que a crise política e econômica está diminuindo, influenciando na geração de empregos e consumo. O que é bom, porque irá gerar um aumento na arrecadação”.

Para o economista Oscemário Daltro, a retomada da geração de empregos indica que houve um descolamento da crise política. “Há um resultado muito positivo nos indicadores econômicos, como a queda da taxa de juros, a redução da inflação e a baixa no dólar. São fatores que alavancam o crescimento, a retomada do consumo, dos investimentos e indicam que estamos saindo de um processo recessivo”.


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