Alta Floresta (MT), 22 de maio de 2017 - 13:23

Agronegócios

31/03/2017 06:30 Gazeta Digital

MT: 6 frigoríficos darão férias, em Alta Floresta 700 funcionários serão atingidos

Quatro dos 11 frigoríficos do grupo JBS em Mato Grosso concederão férias coletivas aos funcionários a partir de segunda-feira (3). As unidades estão localizadas em Diamantino, Juína, Alta Floresta e Pedra Preta. Cerca de 2 mil trabalhadores ficarão afastados das atividades durante 20 dias, até a normalização do mercado consumidor, afetado pela Operação Carne Fraca.

A JBS não descarta estender o período por até 30 dias. Além da multinacional, outros 2 frigoríficos em Mato Grosso (Marfrig, em Tangará da Serra e Frialto, em Matupá) adotam a mesma medida e concedem férias coletivas aos funcionários, elevando o contingente de trabalhadores parados para até 2,550 mil. O sindicato da indústria argumenta que há dificuldades para escoar a produção e que a demanda interna reduziu muito, deixando os estoques abarrotados.

No frigorífico Marfrig, 300 trabalhadores que atuam no regime de 2º turno entram em férias coletivas por 10 dias, prorrogáveis pelo mesmo período, contados a partir desta quarta-feira (29), informou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Frigoríficos nos municípios de Tangará da Serra e região (Sintial), Nilda Leão.

O sindicato representa também os trabalhadores das indústrias alimentícias de Diamantino e Juína, onde 900 funcionários da JBS serão afastados temporariamente das atividades, afirma Nilda. “Oficialmente o sindicato ainda não foi informado das férias coletivas e ela (JBS) devia avisar com antecedência de 15 dias. Estou indo hoje (ontem) para conversar com os funcionários de Juína”, disse. “Na realidade, nos preocupa muito essa incerteza, que gera insegurança aos trabalhadores”, admitiu.

Em Alta Floresta, 700 funcionários da JBS “irão para casa” até a normalização dos abates, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne e Laticínios no Portal da Amazônia (Sintracal), José Evandro Navarro. Ele lembra que o frigorífico Frialto, em Matupá, também concederá férias coletivas de 15 dias, contados a partir de 13 de abril, para 250 funcionários. “Já se esperava esse anúncio por aqui”, admitiu Navarro, logo após a reunião com diretores da Companhia nesta quarta-feira (29). “O Sindicato não tem como impedir e o momento não é para desencadear mais conflitos”.

AJUSTES – No total, entrarão em férias coletivas os funcionários de 10 das 36 unidades de abate de bovinos da JBS espalhadas por Mato Grosso do Sul (3), Goiás (1), São Paulo (1) e Pará (1). Por meio de nota oficial enviada ao jornal A Gazeta, a JBS informa que “concederá férias coletivas de 20 dias, a partir da próxima segunda-feira (3)” e que “as férias coletivas podem se estender por mais 10 dias”.

A companhia justifica que “a medida é necessária em virtude dos embargos temporários impostos à carne brasileira pelos principais países importadores, assim como pela retração nas vendas no mercado interno nos últimos 10 dias”. O comunicado institucional diz ainda que é imprescindível ajustar os volumes de produção para normalizar os níveis de estoques de produtos destinados ao mercado interno, assim como reescalonar a programação de embarques de produtos para os clientes internacionais que ficaram represados, de forma a não sobrecarregar os sistemas de recebimento e estocagem dos mesmos. A empresa conclui declarando que está empenhada na manutenção dos 125 mil empregos que mantém no Brasil.

Para atender o mercado consumidor na atual conjuntura, a JBS mantém o abate reduzido em 35% em 7 das 11 plantas frigoríficas que operam em Mato Grosso. As unidades que continuam com os abates bovinos são as de Água Boa, Araputanga, Colíder, Confresa, Juara, Pontes e Lacerda e Barra do Garças. A decisão foi oficializada pela JBS na última quinta-feira (23), quando a companhia suspendeu os abates de bovinos em 10 dos 11 frigoríficos no Estado até sábado (25) passado. Um dia antes do comunicado, as unidades frigoríficas da JBS de Araputanga e Pontes e Lacerda suspenderam a compra de animais.

O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo/MT), Luiz Antônio Freitas, afirma que o setor está tendo muita dificuldade para escoar a produção, as vendas internas caíram bastante (sem citar percentual) e que os encaminhamentos para a resolução dos problemas estão lentos. “Em consequência disso estamos com os estoques abarrotados”, diz ao justificar a necessidade de se suspender a compra e o abate de animais temporariamente. “Acreditamos que o mercado vai se normalizar, mas isso leva tempo. O estoque que temos atualmente é suficiente para abastecer o mercado interno e os compromissos internacionais seguramente por 30 dias”.

Em nota, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), repudia a especulação no mercado da carne por parte da indústria frigorífica. Isso porque alguns pecuaristas relatam redução de até 10% no valor da arroba nos últimos 12 dias, passando de R$ 126 para até R$ 113 em algumas regiões como no norte e noroeste do Estado. Por isso, a entidade recomenda cautela e precaução na hora da venda para evitar depreciação ainda maior do preço da arroba.

“Mato Grosso vivencia hoje as consequências de uma política de incentivo à concentração de empresas e controle de mercado. O fomento à formação de conglomerados, por meio de financiamento público, colocou o mercado da carne nas mãos de poucos empresários que, em um momento como este, manipulam toda a cadeia produtora”, afirma Luis Fernando Conte, vice-presidente da Acrimat.

EFEITOS DA OPERAÇÃO – Desde que as investigações da Polícia Federal começaram para apurar um esquema de fraudes e adulteração de produtos cárneos em 21 indústrias frigoríficas do país, diversos países manifestaram restrição à proteína animal exportada pelo Brasil. Japão, África do Sul, União Europeia – que agrega 28 países membros -, Suíça, Arábia Saudita, Canadá, Emirados Árabes, Vietnã, Peru e Bahrein mantêm suspensão temporária dos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca. Treze países adotaram barreiras para além dos frigoríficos investigados, sendo eles a Argélia, Jamaica, Trinidad e Tobago, Panamá, Catar, México, Bahamas, São Vicente e Granadinas, Granada, São Cristóvão e Névis, Marrocos, Zimbábue e Santa Lúcia.

Estados Unidos, Malásia e Argentina reforçaram o controle sanitário da carne exportada pelo Brasil. Outros 3 países pediram informações sobre os frigoríficos investigados e o Sistema de Inspeção Federal (SIF), sendo eles: Israel, Rússia e Irã. A relação foi atualizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Na lista dos países que retomaram as importações estão Hong Kong, China, Chile, Egito, Coreia do Sul e Barbados.

EXPORTAÇÕES – Dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços apontam que uma semana após ter sido desencadeada a Operação Carne Fraca as exportações da carne brasileira renderam receita 19% menor. O rendimento diário das exportações do produto recuou de US$ 62,2 milhões na 3ª semana de março para US$ 50,5 milhões na semana passada. Somadas as 4 primeiras semanas de março, o Brasil exportou US$ 890,9 milhões em carne suína, bovina e de frango. No mesmo período do ano passado, e com 1 dia útil a menos, a exportação do produto superou a marca de US$ 1 bilhão. Desde que a operação veio à tona, o governo brasileiro suspendeu a autorização para exportação do alimento proveniente dos 21 frigoríficos investigados na operação.


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